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Polícia Civil de SP bate recorde negativo: há 16 mil cargos vagos nas delegacias

A Polícia Civil paulista segue com perdas sucessivas de profissionais. O déficit nos quadros das delegacias alcançou um novo recorde no estado em novembro deste ano, com um total de 16.149 cargos vagos. As informações são do “Defasômetro”, ferramenta que o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) utiliza para contabilizar […]

Por O Diário
24/12/2022 08h49, Atualizado há 43 meses

A Polícia Civil paulista segue com perdas sucessivas de profissionais. O déficit nos quadros das delegacias alcançou um novo recorde no estado em novembro deste ano, com um total de 16.149 cargos vagos. As informações são do “Defasômetro”, ferramenta que o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) utiliza para contabilizar as perdas em Recursos Humanos sem reposição.  

Atualmente, dos 41.912 cargos previstos para a Polícia Civil, somente 25.763 estão ocupados, o que representa um déficit de 38,5%. Cinco anos atrás, quando a defasagem já era considerada elevada, o índice era de 27,2%, segundo alerta a presidente do Sindpesp, a delegada Jacqueline Valadares.

“A Polícia Civil do estado de São Paulo se depara, hoje, com um quadro assustador. São, afinal, 16 mil profissionais a menos, e isso traz reflexos diretos no serviço oferecido aos paulistas. A alta defasagem impacta na investigação de crimes e no próprio policial civil, que acaba trabalhando sobrecarregado, assim como afeta também a vida do cidadão, que não consegue se sentir seguro o suficiente para sair de casa, tendo a certeza de que retornará para a sua família com seus pertences e integridade intacta”, afirma a delegada. 

A carreira com mais cargos vagos, de acordo com o “Defasômetro”, é a de investigador (3.994), seguida da de escrivão (3.805). A função de agente policial (1.510) é a terceira com maior defasagem, quase empatando com as carreiras de delegado (958) e de agente de telecomunicações (953). O mais recente levantamento do Sindpesp foi tabulado no fim do mês passado.  

A pesquisa mostra, ainda, que 98 policiais se desligaram das funções em novembro, em sua maior parte, por aposentadorias ou exonerações. No período, e a exemplo do que ocorre nos últimos anos, apesar da existência de candidatos aprovados em concursos para a Polícia Civil, não foram realizadas nomeações por parte do Estado para suprir a perda em Recursos Humanos:  

“Nomeações imediatas e novos concursos têm de ser realizados com urgência, para recompor os quadros da Polícia Civil. E, não menos importante: é necessário ter um trabalho, uma reestruturação, que incentive este policial a permanecer na carreira. As desistências são, afinal, preocupantes. De toda maneira, o que os números nos mostram é que as saídas não são repostas. O que se espera é que este cenário de abandono das forças de segurança que presenciamos nas últimas décadas mude com o novo governo paulista”, pontua Jacqueline, se referindo à posse em 1º/1 do governador eleito para a gestão 2023/2026, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos). 

A presidente do Sindpesp destaca outros três grandes problemas que o novo governo paulista vai encontrar na Segurança Pública e que necessitam de urgente solução: desvalorização salarial (os policiais civis do estado têm um dos piores salários do País), falta de investimento em material, ou seja, existência de delegacias desestruturadas; e ausência de investimentos em investigação:  

“Há uma grande preocupação do estado para o acesso da população no registro do Boletim de Ocorrência. Em contrapartida, não há o mesmo empenho em estruturar equipes que possam instaurar os inquéritos e investigar os conteúdos dos Boletins de Ocorrência”, complementa Jacqueline.  

“Defasômetro” 

O “Defasômetro” contabiliza cargos vagos na Polícia Civil desde o decreto 59.957/13, que reorganizou e concedeu novas denominações ao banco de cargos e às funções-atividades da administração direta e autárquica do Estado de São Paulo.  

O levantamento completo pode ser consultado no site https://sindpesp.org.br/defasometro/ 

 

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