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Praça tombada pelo patrimônio recebe asfalto na calada da noite

Nelo Boratto foi uma daquelas pessoas imprescindíveis na vida da cidade. Dotado de um senso de humor contagiante e permanente, o antigo funcionário do empresário Henrique Borenstein, na Finacional, da avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco, marcava ponto frequentemente na redação deste jornal. Ou melhor, na sala da diretoria, onde costumava bater longos papos com o […]

Por O Diário
12/12/2022 09h53, Atualizado há 44 meses

Nelo Boratto foi uma daquelas pessoas imprescindíveis na vida da cidade. Dotado de um senso de humor contagiante e permanente, o antigo funcionário do empresário Henrique Borenstein, na Finacional, da avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco, marcava ponto frequentemente na redação deste jornal.

Ou melhor, na sala da diretoria, onde costumava bater longos papos com o Tote, para falar da cidade que os dois viram crescer. Nelo chegava sempre com uma nova história de amigos comuns que, invariavelmente, arrancava boas risadas de quem estivesse por lá, no momento.

Nelo já era um setentão e enfrentava os problemas naturais de quem tentava, sem muito sucesso, controlar os níveis de açúcar no sangue. O diabetes o atormentava, a ponto de ele ter dificuldade em caminhar por ruas de paralelepípedos desnivelados.

Por isso, cada vinda ao jornal tornou-se mais difícil por ter de passar pelo Largo Bom Jesus, onde o calçamento irregular era uma de suas queixas.  Tanto ao amigo Tote, como para outro personagem da época na cidade, o então prefeito Waldemar Costa Filho.

“Waldemar você precisa dar um jeito naquela praça. Eu já caí dois tombos ao passar por lá”, reclamava ele, sempre que encontrava o prefeito, também seu amigo. A cada encontro, o número de quedas aumentava e Waldemar se esquivava dos pedidos, alegando que a praça estava dentro do raio de 500 metros das centenárias Igrejas do Carmo, tombadas pelo patrimônio histórico, onde a Prefeitura não podia intervir sem a burocrática autorização do Condephaat, o protetor invisível da área.

Às reclamações de Nelo se juntaram as de outros munícipes, invariavelmente idosos, que citavam sempre a necessidade de cuidados extras para evitar tropeções e quedas na passagem pelos paralelepípedos da tal praça.

Waldemar decidiu, então, tomar providências. Mas à sua maneira. Numa noite de inverno rigoroso na cidade, quando uma densa camada de neblina cobria todo o Largo Bom Jesus, ele ordenou que uma equipe da Prefeitura fosse até lá, munida de caminhão e rolo compressor e… asfaltasse a praça, à revelia do Condephaat, dos defensores do patrimônio histórico da cidade e até do padre que cuidava da igreja das proximidades.

O “atentado” aconteceu durante uma noite de sexta-feira. E quando o sábado amanheceu, os paralelepípedos da praça estavam todos cobertos com asfalto.

Livre das irregularidades, o piso ficou do jeito que Nelo e os outros velhinhos queriam. E eles nunca mais reclamaram, mas Waldemar ainda teve pela frente algumas dores de cabeça para justificar perante o Condephaat a cobertura das pedras originais do local pelo rústico pavimento asfáltico.

Apenas uma ideia

O jornalista Sebastião Nery conta que, quando Albert Einstein visitou o Brasil, foi acompanhado pelo escritor Austregésilo de Athayde.

Foi olhando tudo, Austregésilo do lado, explicando a ele como se dava a relatividade do jeitinho brasileiro.

A todo momento, o escritor tirava um caderninho do bolso e fazia anotações. Atiçou a curiosidade do visitante, que lhe indagou:

“O que é que o senhor anda escrevendo aí?”.

E Austregésilo:

“Suas opiniões, Mr. Einstein, suas observações. E, às vezes, também as minhas. Tenho hábito de anotar sempre as ideias que me ocorrem  para aproveitá-las nos meus artigos. Mas, por falar nisso, o senhor também não anota as suas ideias?”

Ao que o Mr. Einstein respondeu:

“Não anoto, Dr. Austregésilo, porque até hoje só tive uma, a teoria da relatividade”.

A conversa mudou de rumo.

Para bom entendedor, uma teoria só bastou.

Questões de bom senso

Einstein, a exemplo de alguns personagens brasileiros, tinha o dom de desconcertar os interlocutores com suas respostas.

Dizem que, certa vez, recebeu uma carta da Miss New Orleans, que dizia:

“Prof. Einstein, gostaria de ter um filho com o senhor. Eu, como modelo de beleza, teria um filho com o senhor e, certamente, o garoto teria a minha beleza e a sua inteligência”.

Ao que Einstein respondeu:

“Querida miss New Orleans, o meu receio é que o nosso filho tenha a sua inteligência e a minha beleza”.

Já o bispo mineiro, dom Serafim Fernandes, durante o debate sobre o divórcio no Brasil, foi indagado por um repórter:

“O senhor não acha que o bom senso evitaria muitos divórcios?”

E ele:

“Acho sim, meu filho, e muitos casamentos também…”

Montado no touro

Cansado de ser prefeito – já havia governado Arujá e Itaquaquecetuba, logo na sequência -, Antonio Carlos Mendonça, o “Toninho da Pamonha”, um adepto dos rodeios, músicas sertanejas, botas de canos longos e chapéus de abas largas, se elegeu deputado estadual. 

E sua primeira promessa foi chegar à Assembleia a cavalo.

Mas fez muito mais do que isso: foi montado num touro, que parou o trânsito da Capital paulista. Para completar sua apresentação diante do público paulistano, o político ainda distribuiu sorvetes, picolés e bolos de milho com a marca Rancho da Pamonha, uma rede de lojas mantida por ele ao longo das principais estradas que levavam à cidade de São Paulo.

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