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Prefeito de Mogi usa o Exército para impedir instalação de fábrica poluidora

O arquiteto Selmo Roberto dos Santos, com muito tempo de atuação em Mogi das Cruzes, conviveu com políticos de diferentes estilos e partidos. Atual presidente do Conselho Municipal de Preservação Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap), atua nos dias de hoje como guardião do que ainda resta da memória da cidade, […]

Por O Diário
05/12/2021 11h42, Atualizado há 57 meses

O arquiteto Selmo Roberto dos Santos, com muito tempo de atuação em Mogi das Cruzes, conviveu com políticos de diferentes estilos e partidos.
Atual presidente do Conselho Municipal de Preservação Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap), atua nos dias de hoje como guardião do que ainda resta da memória da cidade, convivendo com os prefeitos mais recentes da história mogiana, como Marcus Melo e Caio Cunha.
Uma convivência harmoniosa que vem surtindo efeitos, como o tombamento do antigo Casarão dos Duque, que estava abandonado e demolido, pouco a pouco, pela ação do tempo. 
Com ajuda da Justiça e da Prefeitura, o Comphap tenta salvar o imóvel que guarda parte da história da cidade.
Foi justamente  Selmo quem contou a história a seguir,  que abre a coluna deste final de semana e que, mais uma vez, tem como personagem principal o ex-prefeito de Mogi das Cruzes, Waldemar Costa Filho, falecido em 26 de abril de 2001, após governar a cidade por 18 anos em quatro mandatos:
“ Meu primo, Nelson Pereira, que era de São Paulo, casou-se com uma gaúcha que morou na casa do senhor Vasco Faé, industrial destacado e antigo presidente do Santos Futebol Clube. 
Por conta disso, frequentei a casa dos Faé, sempre bem recebido pela esposa, dona Vitória.
Em certa ocasião, fui chamado pelo senhor Vasco. Ele me solicitou que conversasse com o prefeito de Mogi. 
Disse que já havia comprado um terreno perto do antigo  Feital Velho Country Clube, dez linhas telefônicas e iniciado a terraplenagem.  Iria construir uma fábrica e queria que o ajudasse na empreitada. 
Fui falar com o prefeito Waldemar Costa Filho e ele me disse que não queria tal tipo de indústria – produtora de metais não-ferrosos – na cidade, por ser excessivamente poluidora.
O gaúcho Faé era teimoso e influente. Amigo pessoal do coronel Erasmo Dias, secretário de Segurança Pública de São Paulo e, em plena ditadura, não se deu por vencido.
Disse que traria a fábrica para Mogi de qualquer jeito.
A disputa começou.
E eu fiquei no meio do fogo cruzado entre ele e o prefeito Waldemar. 
Era uma luta de titãs e eu pagando para ver o que aconteceria. 
Até que veio um golpe de mestre de autoria do prefeito mogiano. 
Vendo que estava em desvantagem, o senhor Waldemar decidiu doar o terreno ao lado da futura indústria poluidora, junto à estrada velha São Paulo-Rio de Janeiro, caminho para Guararema, para o Exército Nacional.
O lugar tornou-se área de segurança nacional, onde indústrias não podiam ser instaladas. 
Restou ao Vasco Faé montar a sua fábrica em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, bem distante de Mogi”.

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