Prefeito quis fazer de Biritiba a Hollywood do Alto Tietê
José Oliva de Melo Júnior, o Zezé, foi o primeiro prefeito de Biritiba Mirim, após sua emancipação político-administrativa de Mogi das Cruzes. Político matreiro e experiente, ele governava um município sem grandes fontes de renda ou empregos, onde a população acreditava que a emancipação seria a solução imediata de todos os seus males. Biritiba era […]
12/03/2023 08h53, Atualizado há 39 meses
José Oliva de Melo Júnior, o Zezé, foi o primeiro prefeito de Biritiba Mirim, após sua emancipação político-administrativa de Mogi das Cruzes.
Político matreiro e experiente, ele governava um município sem grandes fontes de renda ou empregos, onde a população acreditava que a emancipação seria a solução imediata de todos os seus males.
Biritiba era pequena, muito menor que hoje e seus moradores, especialmente os políticos, tinham um único ponto de encontro na cidade: a padaria existente junto à Igreja de São Benedito e a praça do mesmo nome do padroeiro do povoado.
Era lá que Zezé e os vereadores confabulavam sobre o futuro da cidade, quando certo dia, passou a fazer parte do grupo um forasteiro recém-chegado da Capital, conhecido como Cassiel, dono de uma grande fazenda na zona rural do município.
Junto com o fazendeiro estava um amigo, de nome Roberval, sujeito falante e que se jactava de ter amizade com diversos artistas da Capital.
Habilidoso, o prefeito Zezé vislumbrou a oportunidade de colocar o nome da recém-criada cidade na mídia. E anunciou, ali mesmo, um suposto plano de doação de terrenos para artistas famosos que se dispusessem a morar em Biritiba. Roberval se encarregou de levar a boa nova para a Capital e a história se espalhou entre grandes nomes da televisão, à época.
O cantor Altemar Dutra foi o primeiro a chegar. Mas não esperou doação. Gostou tanto de lá que comprou sítio no bairro da Caixa D’Água, pertencente ao ex-vereador Antonio Carlos de Abreu. E, a partir de então, podia ser visto pelas ruas da cidade em memoráveis serestas, acompanhando-se ao violão.
Outros artistas quiseram conhecer Biritiba, cuja Festa do Caqui ganhou espaço até na tevê.
Por lá estiveram Chacrinha, que ganhou título de Cidadão Biritibano, Hebe Camargo, Ronnie Von, entre outros. Eles vinham, conheciam, gostavam, mas os terrenos não saíam. Ronnie Von, na época conhecido como o “Pequeno Príncipe”, o mais famoso de todos, chegou a ter seu nome dado – mas não oficializado – a uma escola e até a uma avenida da cidade. Visitava Biritiba com frequência para alegria das jovens daquela época.
O comércio lucrava, a cidade se tornava conhecida, o prefeito Zezé se tornou amigo de cantores e cantoras, e ainda mais popular entre seus eleitores. Mas o tempo se encarregou de arrefecer aquela euforia passageira, como conta o ex-vereador biritibano, Elias Tomé da Silva Pires.
Os artistas se foram – com exceção de Altemar, que permaneceu por mais alguns anos com o sítio – e a história da doação de terrenos foi esquecida. A Escola Ronnie Von ganhou outra denominação definitiva, assim como a avenida que também levava o seu nome.
O golpe de marketing de Zezé foi um sucesso. Ele voltaria a ser prefeito mais uma vez, mas quando se preparava para um terceiro mandato foi assassinado a tiros, no último comício de campanha, na Vila Operária.
Um crime até hoje ainda não esclarecido por completo.
Morte na Via Leste
Alguns casos ocorridos praticamente na mesma época do assassinato de Zezé Oliva, em 1998, chamaram a atenção da crônica político-policial da época. Um deles envolveu o ex-prefeito e novamente candidato ao cargo, nas eleições de 1988, em Guararema, Sebastião Alvino de Souza. Ele havia participado de um encontro político na Capital, durante a manhã de sábado e retornava para casa pela recém-aberta rodovia dos Trabalhadores, que antes disso era chamada de Via Leste e que acabou denominada Ayrton Senna da Silva, após a morte do piloto, em Ímola, na Itália.
Alvino teria batido com seu carro numa defensa lateral da estrada e morrido no acidente. Falou-se em atentado, mas nada foi esclarecido. Nas urnas, Alvino foi substituído pela mulher, Conceição Alvino de Souza, mãe do deputado federal Márcio Alvino, que se revelou uma grande prefeita, e que marcou época na cidade.
Tiros na Prefeitura
O prefeito Geraldo Barbosa de Almeida deixava a sede da Prefeitura de Arujá, após o expediente do dia 6 de fevereiro de 1990. Ele estava acompanhado na mulher, Eliane Negrão, quando três homens encapuzados dispararam vários tiros contra ele, atingindo-o mortalmente. O crime repercutiu intensamente na cidade e o vice-prefeito João Pedro dos Santos, o João Baiano, tornou-se o principal suspeito, chegando a ser preso, sob a acusação de ter mandado matar Geraldo Barbosa. Mesmo depois de tudo isso, João acabou absolvido pela Justiça em 2009, 19 anos após o crime. Durante muito tempo, houve ilações acerca de possíveis relações entre os três crimes envolvendo prefeitos. Mas nada foi além de suposições levantadas por um programa de televisão especializado em investigar crimes ainda não solucionados.
Netinho, outra vítima
Os últimos anos do século passado se mostraram violentos ao extremo para políticos e até para sindicalistas com forte atuação na região. Integrantes de movimentos sindicais de Mogi e Suzano ainda se lembram, consternados, do caso envolvendo Manoel de Souza Neto, o Netinho, de 43 anos, brutalmente assassinado na noite de 6 de outubro de 2000. Coordenador da campanha eleitoral do PT em Suzano, ele foi morto em casa, de onde nada foi levado, com um tiro na cabeça e degolado. Por solicitação da Comissão de Direitos Humanos da Alesp, o inquérito foi transferido de Suzano para São Paulo, mas foi mais um crime sem solução na região.