Rapaz é ferido por balas de borracha e Corregedoria da GM de Mogi apura denúncia
Mogiano e morador no Jardim Nova União, um florista de 27 anos que não terá o nome identificado conta 9 ferimentos de balas de borracha pelo corpo, após ser atendido na Santa Casa de Misericórdia e passar exame de corpo de delito nesta terça-feira (08), no Instituto Médico Legal (IML). Segundo afirma, três guardas municipais […]
08/03/2022 13h01, Atualizado há 54 meses
Mogiano e morador no Jardim Nova União, um florista de 27 anos que não terá o nome identificado conta 9 ferimentos de balas de borracha pelo corpo, após ser atendido na Santa Casa de Misericórdia e passar exame de corpo de delito nesta terça-feira (08), no Instituto Médico Legal (IML). Segundo afirma, três guardas municipais o abordaram na madrugada de sábado (5), quando ele estava a poucos metros da casa onde reside, momentos antes de se dirigirem a uma adega onde um grupo de pagode e frequentadores estavam na rua Yoshio Honda. A Prefeitura esclarece que o caso será apurado.
“Eles chegaram e mandaram encostar no muro. Eu fiz isso, abaixei e eles começaram a atirar, então eu levantei, e eles continuaram me acertando, pelas costas. Depois, eu não lembro de mais nada”, relembra, acrescentando que, somente após a abordagem a ele, é que a equipe teria se dirigido ao estabelecimento comercial, que havia sido alvo de uma denúncia por som alto. Um grupo de pagode se apresentava e a equipe chegou ao lugar por volta da uma da madrugada.
Para o florista, que possui emprego fixo, a atuação da Guarda Municipal foi “violenta”. “Até agora eu não entendo porque já começaram atirando, ali, estavam famílias que sempre se reúnem, crianças com os pais. A fiscalização pode acontecer, mas, não dessa forma”, opina.
O homem disse que frequenta a adega em alguns finais de semana. Naquela madrugada, ele já estava indo para casa, quando encontrou os agentes. “Eles não perguntaram o meu nome, não pediram um documento, nada, atiraram, na violência mesmo”.
Logo após ser levado para a Santa Casa de Misericórdia, o morador registrou um boletim de ocorrência, e não confia em outros desdobramentos para apurar a atuação: “Uma farda contra um uniforme de trabalho? Trabalhador tem voz? Eu não ameacei ninguém”.
Questionado sobre a dispersão das pessoas que estavam ouvindo o samba na calçada e na rua, ele afirmou que as balas que o atingirem foram desferidas antes de a equipe chegar até a adega, dando uma versão que deverá ser apurada em processo aberto pela Corregedoria da Guarda Municipal, segundo informa a Prefeitura.
O florista questiona o armamento da GM de Mogi das Cruzes: “Não há preparo, isso fica bem claro. Eu espero que a Prefeitura e o prefeito (Caio Cunha -PODE) repensem a entrega desse alvará (porte de arma) a quem age dessa forma”.
Nas redes sociais, relatos de frequentadores do lugar falam sobre a correria e a existência de outras pessoas feridas por balas não letais e bombas antimotim, usadas pelos agentes naquela madrugada.
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Segurança afirma que a Corregedoria da Guarda Municipal irá apurar os fatos ocorridos após o recebimento de uma chamada para conter um pancadão em frente a uma adega na rua Yoshio Honda, na Vila Nova União.
Segundo a versão oficial, por volta da 1h do sábado (05/03), equipes da Guarda Municipal e do Departamento de Fiscalização de Posturas foram recebidas e, ao chegarem no endereço, encaminhadas ao local para o atendimento da ocorrência.
De acordo com o relato das equipes, chegando ao local, os agentes teriam sido recebidos por ” dezenas de pessoas, que atiraram paus, garrafas e pedras contra as viaturas. Dois guardas municipais foram atingidos e as viaturas sofreram danos”
Após a recepção, segundo a nota, “foi adotada a utilização de equipamentos não letais (antimotim), conforme determina o procedimento padrão para estes casos, para o restabelecimento da ordem pública.
“O fiscal iniciou a abordagem do estabelecimento, mas as equipes passaram a ser novamente hostilizadas. Para evitar novo confronto, foram feitas as anotações necessárias para a emissão de duas autuações: uma por perturbação do sossego contra o estabelecimento e outra por pancadão contra o responsável de um veículo”, acrescenta a Prefeitura. Logo depois, as equipes se retiraram do local.
A Prefeitura afirma que a Corregedoria da Guarda irpa apurar os fatos e, após análise, adotar providências cabíveis
Nesta semana, é o segundo caso envolvendo o comportamento de agentes municipais. Houve um contronto entre guardas e professores no protesto que ocorreu na manhã de segunda-feira (7), em frente à Prefeitura, com o registro de boletim de ocorrência feito contra a atuação da GM.
Lei
Em Mogi das Cruzes, além da lei do Silêncio, que estabelece limite de som após as 22 horas, a lei do Pancadão também proíbe o excesso dos decibéis após determinado horário.
Comerciante
Temendo represálias, o proprietário da adega WF pediu que não tivesse o nome citado na reportagem, e contou que a chegada dos agentes da Guarda Municipal “foi algo nunca visto pot rlr”. Segundo disse, as balas de borracha e bombas foram lançadas antes da chegada dos agentes até a adega. “Havia mulheres e crianças, algumas pessoas foram atingidas e não vão se apresentar queixa porque estão com medo”, disse, afirmando que deverá pagar as multas aplicadas, mas sem concordar com a forma como os guardas agiram durante a fiscalização. “Tive de baixar a porta, clientes correram, ficaram de fora, todos tiveram muito medo”.
Indagado sobre a continuidade do trabalho, no próximo final de semana, o morador contou que pretende fechar as portas mais cedo, “mas não deixarei de atender porque pago os meus impostos”, encerrou. (Matéria atualizada às 18h10)