Vereadores de Mogi e um suzanense estão em pé de guerra
A triste história de uma mulher encontrada, no Jardim Margarida, em Mogi das Cruzes, com sinais de desnutrição, maus tratos e cárcere privado, acabou por colocar em campos opostos vereadores mogianos e um representante da Câmara de Suzano, Fábio Diniz (PL). A temperatura entre integrantes dos dois grupos subiu ao ponto de os representantes da […]
18/03/2022 07h06, Atualizado há 53 meses
A triste história de uma mulher encontrada, no Jardim Margarida, em Mogi das Cruzes, com sinais de desnutrição, maus tratos e cárcere privado, acabou por colocar em campos opostos vereadores mogianos e um representante da Câmara de Suzano, Fábio Diniz (PL).
A temperatura entre integrantes dos dois grupos subiu ao ponto de os representantes da cidade, incomodados com as críticas que lhes eram endereçadas nas redes sociais por internautas que reagiram a comentários do suzanense sobre suposta omissão de socorro à vítima, decidiram reagir com um petardo de fazer inveja ao exército de Putin.
Aprovaram, na sessão de quarta-feira, uma moção de repúdio a Fábio Diniz pelo que os mogianos consideraram como divulgação de fake news sobre eles.
“Temos que repudiar a irresponsabilidade desse vereador. Espero que isso chegue à Casa de Leis de Suzano, para que as devidas providências sejam tomadas”, bradou, do alto de sua autoridade de presidente, o vereador Marcos Furlan (PODE).
Mais comedida, a vereadora Inês Paz (PSOL) deixou de lado a fama de radical e preferiu não participar da iniciativa. E não assinou a moção.
Mas como foi que tudo isso começou?
O início foi o encontro da senhora abandonada, no interior de uma casa, já quase sem vida, pelo integrante de uma ONG suzanense, alertado por vizinhos da mulher.
Ele bem que tentou buscar ajuda da PM, que teria lavado as mãos: só agiria, se o caso fosse registrado em boletim de ocorrência numa delegacia de Polícia Civil, como se a situação da mulher pudesse esperar por tais detalhes meramente burocráticos.
Foi então que o presidente da ONG decidiu apelar para o vereador de Suzano que compareceu ao local e, de alguma forma, conseguiu que uma ambulância levasse a senhora para ser atendida em um hospital suzanense. (Vale lembrar que tudo isso se passava no distante Jardim Margarida, um dos bairros da Divisa entre Mogi, Suzano e Itaquá, numa região extrema da Serra do Itapeti).
O vereador Fábio Diniz, ao postar sobre o assunto em sua rede social, não perdeu a oportunidade para fustigar os seus colegas da Câmara de Mogi que, segundo ele, teriam sido acionados e nada fizeram para ajudar a resolver o caso.
Os vereadores de Mogi dizem que nenhum deles recebeu qualquer pedido de socorro em relação ao problema da mulher abandonada.
Mas aí entrou a pressão das redes sociais.
Diante da postagem de Diniz, ocorreu um verdadeiro massacre de críticas à “omissão” dos mogianos que, durante a sessão de quarta-feira, reagiram com a moção de repúdio às afirmações do colega de Suzano.
E sobraram críticas às “inverdades” de Diniz. Houve até exigência de retratação por vídeo, em redes sociais.
E em meio a toda essa saraivada de petardos, ninguém sequer se lembrou de procurar saber onde e como estava sendo tratada a senhora que, segundo consta, estava se alimentando até com fezes.
Em nome da “honra” ferida por comentários de redes sociais, outros problemas mais crucias da cidade também ficaram à deriva.
Resta saber agora se tudo está devidamente sepultados ou se teremos pela frente novas cenas desta pantomima de qualidade altamente duvidosa.