O que se sabe sobre possíveis intoxicações por metanol em Mogi das Cruzes e Alto Tietê?
Até o momento, quatro casos são investigados na região: dois em Mogi das Cruzes e outros dois em Itaquaquecetuba
03/10/2025 18h32, Atualizado há 6 meses
Metanol | Adobe Stock
A região do Alto Tietê acompanha quatro casos suspeitos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas. Em Mogi das Cruzes, segundo a administração municipal, duas mulheres de 19 e 20 anos, foram atendidas em um hospital particular com sintomas relacionados à ingestão. Uma delas já recebeu alta médica, enquanto a outra permanece internada.
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Em Itaquá, dois casos estão sendo acompanhados pela Secretaria de Saúde do município, conforme informou o prefeito Eduardo Boigues (PL). O primeiro, registrado no dia 23 de setembro no Hospital Geral de Itaquaquecetuba (HGI), não resistiu aos sintomas e morreu. Já o segundo paciente procurou o Centro de Saúde 24h, foi atendido e, posteriormente, encaminhado ao HGI, onde segue sob acompanhamento médico.
- O metanol é um tipo de álcool altamente tóxico, utilizado principalmente como solvente industrial, combustível e na produção de tintas e plásticos. Diferente do etanol, que é próprio para consumo em bebidas alcoólicas, o metanol não pode ser ingerido, pois mesmo pequenas quantidades podem causar intoxicação grave, levando à cegueira, danos irreversíveis ao sistema nervoso e, em casos mais severos, à morte.
Em nota, a prefeitura informou que instituiu o Gabinete de Gestão de Riscos e Crises (GGRC), responsável por monitorar o cenário sanitário.
“Os casos também serão analisados pelo Comitê de Óbito, que dará seguimento à investigação clínica e epidemiológica. Além disso, será realizada uma força-tarefa de fiscalização, com blitz conduzidas pela Vigilância Sanitária, em parceria com o Procon Municipal, a Secretaria de Segurança Urbana e a Fiscalização de Posturas, a fim de coibir a comercialização irregular de bebidas e proteger a saúde da população”, disse.
Operações
A Polícia Civil encontrou, na última quinta-feira (2/10), um suposto depósito clandestino de bebidas alcoólicas em Mogi das Cruzes. O local, de acordo com informações das autoridades, está situado na rua Júlio Simões, no distrito de Braz Cubas.
A intensificação da operação, conduzida pelo Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro) – composto pelas Delegacias Seccionais das cidades de Mogi das Cruzes, Carapicuíba, Diadema, Franco da Rocha, Guarulhos, Osasco, Santo André, São Bernardo do Campo e Taboão da Serra – ocorre em razão dos casos recentes envolvendo a comercialização de bebidas adulteradas.
Durante a operação da Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes, segundo nota enviada à redação de O Diário, o estabelecimento situado na rua Júlio Simões operava “aparentemente de forma clandestina”.
No local, ainda de acordo com a polícia, funcionários realizavam a higienização das garrafas, com “indícios de que os recipientes poderiam ser utilizados para comercialização em âmbito nacional”.
O proprietário estava presente durante a fiscalização e informou que o material seria destinado à cidade de Passa Quatro, localizada na região sul de Minas Gerais. A ação resultou na apreensão de mais de 20 mil garrafas, que, segundo a polícia, estavam devidamente organizadas por marcas de whisky, vodka, gin, entre outras bebidas.
O galpão, segundo a Prefeitura de Mogi das Cruzes, funcionava como depósito não autorizado de vasilhames de bebidas alcoólicas. A Vigilância Sanitária constatou que os produtos estavam armazenados em local com precárias condições de higiene e sem controle de pragas. O depósito teve as atividades paralisadas.

Suzano também foi alvo da operação da Polícia Civil. Na última quinta-feira, uma adega no distrito de Palmeiras teve mais de 100 garrafas de bebidas com suspeita de falsificação apreendidas. No local, os agentes foram recebidos pelo proprietário, que terá o prazo de dez dias para comprovar a autenticidade do material.

De acordo com a Prefeitura de Suzano, o alvo da fiscalização foi a verificação de produtos sem procedência, rótulo e nota fiscal, o que dificultaria o rastreamento destes itens caso houvesse a notificação de alguma ocorrência de saúde por gestão de bebida contaminada.
As equipes fiscalizam três estabelecimentos localizados na rua Jeca Tatu, na estrada do Ikeda e na estrada velha Índio Tibiriçá. Houve também uma ação na rua Armênio Simões da Silva que não teve atuação da Vigilância Sanitária, mas sim da GCM e da Polícia Civil.
Na atividade foram encontrados alguns produtos que não estavam em conformidade com a legislação estadual. Durante a fiscalização foram apreendidas:
- 142 garrafas de bebidas alcoólicas destiladas, por não possuírem nota fiscal que pudesse comprovar a origem.
- 17 garrafas de cachaça artesanal, por não possuírem nota fiscal que pudesse comprovar a origem, por não indicarem o CNPJ do fabricante e não apresentarem o número de registro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no rótulo da embalagem.
- 122 copinhos de 30 mililitros contendo cachaça artesanal, por não possuírem nota fiscal que pudesse comprovar a origem, por não indicarem o CNPJ do fabricante e não apresentar o número de registro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no rótulo da embalagem.
- Foram, ainda, apreendidos 81 pacotes de 50 gramas de amendoim e mais 84 pacotes, também de 50 gramas de salgadinhos (pururuca e salgadinho de bacon) embalados por empresa sem licença sanitária e sem regularização junto aos órgãos competentes.
Situação no Alto Tietê
| CIDADE | CASOS SUSPEITOS |
| Mogi das Cruzes | Dois casos suspeitos de intoxicação por metanol |
| Itaquaquecetuba | Dois casos suspeitos de intoxicação por metanol; um óbito em investigação. |
| Suzano | Não há registros de intoxicação |
| Santa Isabel | Não há registros de intoxicação |
| Guararema | Não há registros de intoxicação |
| Arujá | Não há registros de intoxicação |
| Ferraz de Vasconcelos | Não há registros de intoxicação |
| Biritiba Mirim | Não há registros de intoxicação |
| Salesópolis | Não respondeu |
| Poá | Não respondeu |