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Bate-boca sobre nome social em PA de Mogi termina em briga entre paciente e enfermeira

Paciente teria dado um soco na enfermeira, que reagiu e a atacou com uma braçadeira; em nota, prefeitura informou que cobra abertura de sindicância sobre o caso

Por Fabricio Mello
21/08/2025 13h27, Atualizado há 12 meses

Pronto Atendimento do Jardim Universo, em Mogi | Divulgação/PMMC

Uma funcionária do Pronto Atendimento (PA) do Jardim Universo, em Mogi das Cruzes, e uma paciente trocaram agressões físicas após uma discussão sobre o uso do nome social durante o atendimento. O fato aconteceu no dia 15, mas ganhou repercussão nesta semana. Foi o segundo caso em menos de um mês em unidades de saúde da cidade em que não foi respeitado o atendimento pelo nome social (leia mais abaixo).

Segundo foi registrado no Jardim Universo, a paciente, uma mulher trans, teria dado entrada na unidade. Na recepção, solicitou ser chamada de Ágata, mas, durante o processo de triagem, a enfermeira responsável teria usado o nome civil ao invés do social, o que deu início à confusão.

A paciente, então, teria se irritado e considerado a fala da profissional como ofensiva e reagiu, agredindo fisicamente a enfermeira com um soco no rosto. O golpe, ainda segundo o divulgado, causou uma fratura nasal e maxilar, com sangramento ativo. A enfermeira, em resposta, reagiu e atingiu a paciente com uma braçadeira de aferição de pressão.

Por conta da briga, outra profissional de saúde e da vigilância da unidade interviram para evitar novas agressões. De acordo com os funcionários da unidade, o acompanhante da paciente também teria tentado agredir as funcionárias, mas foi contido e retirado do local enquanto ameaçava a equipe.

Após o tumulto, tanto a paciente quanto a enfermeira receberam atendimento médico necessário na unidade. A Guarda Civil Municipal foi acionada via Centro de Operações Integradas (COI) e colheu a versão da paciente e da profissional. O caso foi conduzido à Polícia Civil, que elaborou Boletim de Ocorrência.

O que dizem as autoridades?

Em nota, a Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que cobrou a Fundação do ABC, organização social responsável pela unidade, a abertura de uma sindicância. Ainda no comunicado, a pasta informou que “acompanha o andamento do processo, instaurado na mesma data, para apurar o fato em todas as suas instâncias“.

“A Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar reforça que repudia todo e qualquer tipo de preconceito, discriminação e violência – seja física, emocional, sexual e de gênero – e prima pelo acolhimento, tanto dos profissionais de saúde quanto dos pacientes. A pasta informa que também está oferecendo apoio e suporte à profissional de saúde.”

A redação do O Diário também procurou a Fundação do ABC para questionar sobre o caso, mas a assessoria da OS não retornou até o fechamento desta reportagem.

Caso similar

Há pouco menos de um mês, também em uma unidade mantida pela Fundação do ABC, outra paciente trans denunciou um caso de preconceito durante o atendimento médico. Na ocasião, a paciente teria sido repetidamente identificada pelo nome de registro ao invés do social.

Na época, tanto a prefeitura quanto a OS informaram que iriam investigar o caso, que aconteceu na UPA do Rodeio. O episódio chegou a repercutir no Fórum LGBT+ de Mogi, que repudiou a postura da profissional da unidade e exigiu providências para evitar ocorrências similares.

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