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NR-1 entra no radar das empresas e acelera revisão de práticas de saúde mental

Atualização da norma amplia foco em riscos psicossociais e pressiona organizações a rever processos antes de maio de 2026

Por O Diário
05/03/2026 09h12, Atualizado há 1 mês

Saúde mental deixou de ser secundária nas empresas e passou a fazer parte da agenda estratégica das lideranças | Foto: Freepik

A saúde mental deixou de ser pauta secundária nas corporações e passou a integrar, de forma obrigatória, a agenda estratégica das lideranças. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1, promovida pela Portaria nº 1.419, de 27 de agosto de 2024, do Ministério do Trabalho e Emprego, incluiu oficialmente os riscos psicossociais no escopo do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Inicialmente previstas para 2025, as exigências foram adiadas e passarão a valer em maio de 2026. O prazo adicional, no entanto, não reduziu a pressão. Ao contrário: colocou o tema no centro das discussões corporativas e revelou um cenário de preparo desigual entre as empresas brasileiras.

Riscos psicossociais: o que muda na prática?

A nova redação determina que fatores como estresse crônico, assédio, sobrecarga, conflitos interpessoais e ambientes tóxicos sejam mapeados, avaliados e mitigados de maneira sistemática.

Isso significa que o PGR deixa de focar exclusivamente em fatores físicos e passa a incorporar elementos emocionais e organizacionais. Na prática, as companhias precisarão revisar fluxos internos, políticas de gestão e indicadores de clima.

O adiamento da vigência foi bem recebido por parte do mercado: 48% dos profissionais de RH ouvidos concordam com a prorrogação. Ainda assim, o relógio corre.

Baixa familiaridade e preparo insuficiente

Apesar da proximidade do prazo, o nível de conhecimento sobre a atualização ainda é limitado, de acordo com a pesquisa Recarrega RH & Flash, realizada em 2025:

  • 51,3% dos profissionais de RH afirmam conhecer apenas o básico da nova NR-1;
  • 18% conhece profundamente;
  • 23,3% têm pouca informação;
  • 7,4% sequer conhecem a nova redação.

O cenário se torna ainda mais preocupante ao analisar o estágio de preparação das empresas. Apenas 5% dos respondentes afirmam que suas organizações estão totalmente prontas. Outros 13% consideram que estão preparadas. 

Metade (50%) relata que as empresas ainda se encontram em processo de adequação. Já 22% as classificam como despreparadas, enquanto 10% afirmam que estão totalmente despreparadas. Os dados indicam que, para a maioria, o caminho de adaptação ainda está em curso e, em muitos casos, distante de uma realidade consolidada.

Mesmo com lacunas, o tema já ocupa espaço nas reuniões estratégicas. Entre profissionais das áreas de Saúde, Segurança do Trabalho e Bem-Estar, 67% afirmam que a atualização está sendo debatida internamente. Em Relações Trabalhistas, o índice é de 56%.

O dado sinaliza que, embora a execução ainda avance lentamente, há consciência crescente sobre a necessidade de adaptação.

Principais desafios para implantação

A adequação à NR-1 vai além de ajustes burocráticos. Exige transformação estrutural e cultural. Entre os obstáculos mais citados pelos RHs estão:

  • Capacitação e treinamento das equipes envolvidas para garantir aplicação efetiva do PGR (35%).
  • Estruturação e monitoramento contínuo do programa (13%).
  • Custos para criação do PGR com foco em riscos psicossociais (11%).

Esses números demonstram que a dificuldade não se resume ao investimento financeiro. A mudança envolve preparo técnico, engajamento das lideranças e revisão da cultura organizacional.

Saúde mental como oportunidade estratégica

Apesar dos desafios, a maioria dos profissionais enxerga a norma como avanço.

  • 42,2% acreditam que haverá maior validação e suporte aos temas relacionados à saúde emocional.
  • 23% esperam redução do estresse e da sobrecarga.
  • 12% apontam aumento da sensação de segurança e controle no ambiente laboral.

Os dados indicam que a regulamentação pode funcionar como catalisador para ambientes mais saudáveis e produtivos.A evolução por si só já começa a aparecer nos pacotes corporativos. O percentual de empresas que não oferecem qualquer incentivo voltado à saúde mental caiu de 60% para 42%. Paralelamente, cresceram iniciativas estruturadas:

  • Programas formais de saúde emocional passaram de 18% para 23%.
  • Acesso a psicólogos subiu de 16% para 22%.
  • Subsídio para psicoterapia aumentou de 10% para 16%.
  • Apoio a práticas como meditação ou yoga evoluiu de 5% para 9%.

Esses números revelam mudança gradual na mentalidade empresarial. A percepção é quase unânime: 91% dos profissionais de RH acreditam que um pacote de benefícios bem estruturado é instrumento estratégico para promover qualidade de vida e equilíbrio emocional. 

A NR-1, portanto, não deve ser encarada apenas como obrigação legal. Trata-se de oportunidade para consolidar políticas sustentáveis de gestão de pessoas, reduzir afastamentos, mitigar conflitos e fortalecer a reputação institucional.

A inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 marca uma inflexão histórica na forma como o trabalho é regulado no Brasil. Ao exigir que a saúde mental seja tratada com o mesmo rigor que a segurança física, a norma impõe responsabilidade, mas também abre espaço para inovação na gestão.

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