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O Diário Explica: por que 9 de julho é feriado em SP? Entenda a Revolução Constitucionalista

Maior conflito militar do país no século XX marcou a revolta de mais de 200 mil paulistas contra a ditadura de Getúlio Vargas por uma nova Constituição

Por Daniel Angel
08/07/2026 09h29, Atualizado há 3 horas

Foto: Arquivo/1932 Frente Leste

O Estado de São Paulo celebra, nesta quinta-feira (9), o feriado estadual da Revolução Constitucionalista. A data relembra o início do maior conflito militar do Brasil no século XX: a revolta armada de mais de 200 mil voluntários paulistas contra o próprio governo brasileiro, em 1932, com o objetivo de derrubar a ditadura de Getúlio Vargas e exigir uma nova Constituição para o país.

Assista:

Apesar do impacto histórico e da guerra na região, o motivo da celebração ainda é desconhecido por parte dos cidadãos. O movimento, que teve como estopim o assassinato de quatro estudantes na capital paulista, paralisou o estado e transformou indústrias em fábricas de munição na luta pelo restabelecimento da democracia.

O golpe de 1930 e o estopim da revolta

Segundo o informativo do acervo histórico da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), a insatisfação de São Paulo começou dois anos antes, em 1930, quando o presidente, Getúlio Vargas, liderou um golpe de Estado. Ao assumir o poder de forma autoritária, Vargas anulou a Constituição vigente, fechou o Congresso Nacional e destituiu governadores eleitos, centralizando todas as decisões no Rio de Janeiro, então capital federal.

A indignação política virou revolta popular no dia 23 de maio de 1932. Durante uma manifestação pacífica no centro da capital paulista, forças aliadas ao governo federal reagiram com violência, resultando no assassinato a tiros de quatro estudantes: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.

As iniciais dos nomes dos jovens deram origem ao movimento civil M.M.D.C., que se tornou o símbolo da resistência e impulsionou a revolta armada de 9 de julho.

Durante os combates, as indústrias paulistas pararam suas produções habituais para fabricar munições e armamentos e as mulheres de diversas classes sociais doaram joias e alianças de casamento para financiar os combatentes nas frentes de batalha.

Isolamento e fim dos combates

Apesar do forte engajamento popular, as tropas de São Paulo enfrentaram um isolamento geopolítico. A liderança revolucionária aguardava o apoio militar de outros estados da federação, mas a ajuda externa não veio.

Os paulistas combateram sozinhos o Exército Federal de Vargas ao longo de quase três meses nas fronteiras do estado. Sem rotas de reabastecimento e com escassez de munição, os líderes paulistas assinaram a rendição militar oficial em outubro daquele ano para evitar um massacre maior.

Derrota militar, vitória política

Embora São Paulo tenha perdido o confronto nos campos de batalha, o movimento obteve uma vitória política histórica. A forte pressão social e econômica gerada pela revolta obrigou Getúlio Vargas a ceder às exigências democráticas.

O presidente foi forçado a convocar eleições gerais para uma Assembleia Constituinte, o que originou a promulgação da Constituição de 1934, responsável por restabelecer o voto secreto e a ordem democrática no país.

Diário Explica

Com foco na informação e na prestação de serviço, o quadro “O Diário Explica” foi criado para abordar temas de interesse geral de forma simples, clara e objetiva. A proposta é explicar fatos, datas e acontecimentos do cotidiano que despertam curiosidade ou geram dúvidas, ajudando o público a compreender o contexto e a relevância desses assuntos.

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