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Férias escolares aumentam uso de telas por crianças e exigem equilíbrio na rotina familiar, alerta especialista

Profissional fala sobre excesso de telas e destaca equilíbrio entre tecnologia e brincadeiras fora do ambiente digital

Por O Diário
10/07/2026 11h56, Atualizado há 2 horas

Ausência da rotina escolar durante o período de férias costuma favorecer um aumento natural no contato com dispositivos eletrônicos | Foto: Reprodução/Magnific

Com a chegada das férias escolares, o tempo livre das crianças aumenta e, consequentemente, também pode crescer a exposição a celulares, tablets, computadores e redes sociais. Embora a tecnologia faça parte da infância contemporânea e ofereça oportunidades de aprendizado e entretenimento, o uso prolongado pode reduzir momentos importantes para o desenvolvimento emocional, social e cognitivo, conforme explica a professora Eliana Farias, do curso de Psicologia do Centro Universitário Braz Cubas.

Segundo a especialista, a ausência da rotina escolar durante o período de férias costuma favorecer um aumento natural no contato com dispositivos eletrônicos. O principal ponto de atenção, porém, não está apenas na quantidade de horas diante das telas, mas na falta de equilíbrio entre experiências digitais e outras atividades fundamentais para a infância.

Quando o tempo livre é ocupado majoritariamente por dispositivos eletrônicos, a criança pode perder oportunidades de brincar, interagir presencialmente, explorar novos ambientes, praticar atividades físicas e desenvolver habilidades como criatividade, autonomia e comunicação. Além disso, o excesso de telas pode dificultar a vivência de sentimentos como tédio, espera e frustração, que fazem parte do processo de amadurecimento emocional.

“Quando as telas se tornam a principal fonte de entretenimento, a criança pode apresentar mais dificuldade para lidar com situações de espera e frustração, experiências importantes para o desenvolvimento da autorregulação emocional”, explica a docente.

Entre os sinais que indicam que o uso de dispositivos pode estar afetando o bem-estar infantil estão irritabilidade intensa ao interromper o acesso às telas, perda de interesse por outras atividades, alterações no sono, dificuldade de concentração, isolamento social, ansiedade e mudanças frequentes de humor.

A professora ressalta que também é importante observar quando a criança passa a utilizar os dispositivos como única estratégia para lidar com emoções difíceis, como tristeza, medo ou frustração. Nesses casos, a tecnologia deixa de ser apenas uma forma de lazer e passa a funcionar como um recurso constante de regulação emocional.

Uso saudável depende de equilíbrio e acompanhamento

De acordo com a especialista, a discussão sobre telas precisa considerar não apenas o tempo de uso, mas também a qualidade do conteúdo acessado, o acompanhamento dos responsáveis e o impacto que a tecnologia tem na rotina da criança.

Crianças menores de 2 anos, por exemplo, devem evitar o contato com telas, com exceção de chamadas de vídeo com familiares. Entre 2 e 5 anos, a recomendação é que o uso seja limitado e acompanhado por um adulto, priorizando conteúdos adequados à idade. A partir dos 6 anos, não existe um limite único de horas indicado para todas as crianças, mas o uso não deve prejudicar atividades essenciais, como sono, alimentação, estudos, convivência familiar, brincadeiras e prática de exercícios.

Férias podem estimular criatividade e convivência

O período sem aulas pode ser uma oportunidade para ampliar experiências que contribuem para o desenvolvimento infantil, explica a especialista. Atividades como brincadeiras livres, leitura, jogos de tabuleiro, esportes, passeios ao ar livre, contato com a natureza, culinária e encontros com familiares e amigos favorecem habilidades como empatia, cooperação, comunicação, autoestima e resolução de problemas.

Além disso, permitir que a criança vivencie momentos de tédio, sem recorrer imediatamente às telas, pode estimular a criatividade e a capacidade de criar novas formas de brincar. “O uso das tecnologias faz parte da infância atual e pode trazer benefícios quando utilizado com intenção e acompanhamento. O desafio é evitar que a tela substitua experiências essenciais, como brincar, explorar, conviver e construir relações significativas”, afirma a professora.

A docente destaca que a atenção dos responsáveis deve estar principalmente nos impactos que a tecnologia provoca na rotina da criança. Quando o uso interfere no sono, nas relações familiares, nas amizades, nas atividades físicas ou se torna a única forma de diversão e enfrentamento das emoções, é importante buscar orientação profissional para compreender melhor a situação.

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