Assistencialismo cresce e voluntário agora é atendido
As instituições assistenciais registram aumento na procura por serviços assistenciais após a suspensão do auxílio emergencial, até mesmo por pessoas que tinham uma vida estável antes da pandemia. A volta do benefício é importante para evitar que muitas famílias passem fome nesse período em que muitos perderam emprego e renda. As observações são feitas pelo […]
12/02/2021 14h42, Atualizado há 63 meses
As instituições assistenciais registram aumento na procura por serviços assistenciais após a suspensão do auxílio emergencial, até mesmo por pessoas que tinham uma vida estável antes da pandemia. A volta do benefício é importante para evitar que muitas famílias passem fome nesse período em que muitos perderam emprego e renda.
As observações são feitas pelo diácono Valmir Donizeti Pereira, diretor da Cáritas Diocesana, responsável pela parte assistencial da Igreja Católica, como as pastorais que funcionam nas paróquias. “A situação de pobreza das famílias piorou e tem muita gente passando necessidade até mesmo de comida”, alerta.
A estimativa da Cáritas é de que em Mogi são cerca de duas a três mil famílias em situação de alta vulnerabilidade. No Alto Tietê de 12 a 15 mil estão nessa situação. A maioria deixou de receber a ajuda e muitos não têm acesso às cestas básicas distribuídas pelos municípios.
Para ajudar essa população desassistida, o diácono diz que as pastorais que arrecadam os alimentos e conseguem atendem cerca de 400 cestas básicas por mês, uma quantidade muito abaixo da demanda, que hoje está em mais de mil pedidos. “A procura é tanta, que as vezes é preciso dividir uma cesta em três para evitar que as pessoas voltem para casa com as mãos vazias”, relata.
As famílias que estão passando pelo problema se sentem constrangidas, diz Valmir, citando exemplos de pessoas que tinham emprego e que nunca tinham enfrentado esse tipo de dificuldade. Houve um caso, em Itaquaquecetuba, compartilha ele, que um voluntário que auxiliava na Pastoral, acabou sendo assistido, durante a pandemia.
Na avaliação dele, o Auxílio “foi uma benção” e o poder público precisa rever o valor do Bolsa Família que não atende as necessidades das mães. A Cáritas conta com a ajuda da comunidade para ajudar essas pessoas. As doações podem ser feitas no salão do Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus – Igreja de São Benedito, localizado à rua Major Pinheiro Franco, 356, Centro.
‘Ninguém contrata diarista’
Michele Pereira da Silva dos Anjos, 38 anos, torce todos os dias para o governo federal restituir o Auxílio Emergencial até conseguir trabalho para manter sua família nesse período de pandemia. Com sete filhos, cinco deles dependentes dela e do marido Ednilson, em idades de 1 a 18 anos, a mãe conta que “é impossível ter uma vida digna”, com repasse de R$ 500 do Bolsa Família e uma cesta básica por mês.
Ela disse que “ninguém mais contrata diarista”, trabalho que exercia para ajudar a reforçar o orçamento familiar. As dificuldades aumentaram com a suspensão das aulas presenciais, obrigando a permanência das crianças em casa, uma medida “acertada”, mas que elevou as contas de água, luz e outras compromissos que estão com pagamentos atrasados. A moradora do Jardim Universo aponta o aumento de preços dos produtos no mercado. A boa notícia é que marido conseguiu emprego fixo, como pedreiro e uma das filhas, em telemarketing.
A situação “está complicada” para Rosemeire Ramos de Melo, 42 anos, viúva, com filhos pequenos, Victor e Kathelyn que conta com apenas R$ 269 do Bolsa Família e mais R$ 400 que recebe por alugar parte do imóvel deixado pelo marido, em Jundiapeba. Com dificuldade para encontrar trabalho como diarista, diz que a geladeira está vazia. As crianças comem arroz com ovo. A família de Maria José de Oliveira de Deus, 62 anos, vem “tentando se ajudar” para superar o desemprego e a suspensão do auxílio federal. Ela mora em Jundipabeba com dois filhos casados, noras e netos pequenos em um mesmo terreno, contando com recursos de R$ 269 do bolsa família e o com o que rende de alguns trabalhos esporádicos aparecem.
46.439 famílias são assistidas
A Secretaria Municipal de Assistência Social informa que 46.439 famílias de Mogi se inscreveram no Cadastro Único da Prefeitura, segundo dados registrados até novembro de 2020. Isso, representa um universo de 118.670 que estão precisando de ajuda na cidade,
Das mais de 46.4 mil famílias inscritas no Cadastro, a faixa de renda per capita é a seguinte: 29.039 têm rendimento de até R$ 89 por mês (62,5%) dessa população; 2.593 ganham entre R$ 90 a R$ 178 (5,6%). 6.929 estão na faixa de R$ 179 a R$ 550 (14.9%); outras 6.827 ganham de R$ 550 a R$ 1,1 mil (14,7%); e 1.051 acima de R$ 1.101 (2,3%) Dados sobre o auxílio emergencial informados por meio do sistema VISDATA, demonstram que o total de pessoas elegíveis para receber o auxílio em abril de 2020 era de 128.8 mil em Mogi. Desse total 29,4 mil famílias tiveram acesso por meio do Bolsa Família (22,83%). Os escolhidos pelo Cadastro Único foram 17,4 mil (13,51%). As que usaram o EXTRACAD (Aplicativo da Caixa) foram 82 mil (63,66%).
Segundo a Assistência Social, o total arrecadado com 5 primeiras parcelas somou R$ 406,9 milhões.
Frente de trabalho
O prefeito Caio Cunha (PODE) defende a volta do Auxílio Emergencial para atender as famílias e ajudar a movimentar a economia. Mesmo entendendo a necessidade de o governo federal avaliar a capacidade econômica para isso, ele acha que o auxílio é extremamente necessário por mais algum tempo, até porque houve aumento de pessoas sem emprego e em situação de rua. “A questão é muito delicada, e a cidade não tem o poder financeiro o suficiente para atender essa necessidade”, diz. A Prefeitura distribui de cestas e estuda a criação de frentes de trabalho para essas pessoas.