Caio Cunha fala sobre reforma administrativa e não poupa antecessor
O prefeito Caio Cunha (PODE) avalia como “positivo” o balanço dos primeiros 40 dias de mandato, um período que, segundo ele, foi dedicado a analisar, entender a engrenagem administrativa e preparar mudanças que pretende implementar para tornar o serviço público mais eficiente. Além dos desafios lançados com a transição relâmpago, em apenas 23 dias, ele […]
12/02/2021 14h39, Atualizado há 66 meses
O prefeito Caio Cunha (PODE) avalia como “positivo” o balanço dos primeiros 40 dias de mandato, um período que, segundo ele, foi dedicado a analisar, entender a engrenagem administrativa e preparar mudanças que pretende implementar para tornar o serviço público mais eficiente.
Além dos desafios lançados com a transição relâmpago, em apenas 23 dias, ele afirma ter tido problemas com o “esvaziamento de caixa” promovido pela gestão anterior. Mesmo assim conta que conseguiu manter os compromissos e até reduzir gastos com a revisão de contratos públicos, como no caso dos serviços de radares de fiscalização de velocidade, renegociado com redução de 30% no valor, que rendeu uma economia de R$ 2 milhões aos cofres.
Caio Cunha tratou desses temas em entrevista à O Diário, na terça-feira (9), em seu gabinete, no 3º andar da Prefeitura. Segundo disse, ele teve a primeira “surpresa” quando assumiu o cargo e foi informado sobre o pagamento de mais de R$ 10 milhões, no final de 2020, em licença prêmio ao funcionalismo público.
Mesmo sendo direito do servidor, que cumpre a sua função e tem compensação em recursos financeiros ou em dias de férias, há um limite para o pagamento mensal dessa gratificação que é de R$ 150 mil, mas além dessa quantia, a gestão do ex-prefeito Marcus Melo liberou mais R$ 10 milhões ao funcionalismo. “Tem gente que nem precisava e nem queria fazer isso, mas fizeram questão de dar”, comenta.
Outro problema enfrentado pelo prefeito foi a distribuição das 28 mil cestas básicas encaminhadas pelo Estado, que deveriam continuar sendo entregues com a ajuda dos motoristas da educação. “Só que o governo anterior deu férias em janeiro para todos eles e a gente não pode usar esses recursos”.
A Prefeitura, destaca Cunha, também baniu da ata de preços de empresas cadastradas que cobravam valores abusivos para fazer a manutenção da frota. Caio explica que identificou 10 carros nos Serviços Urbanos “que não servem para nada e serão leiloados”, além da compra de 10 veículos destinados à Secretaria de Governo “sem necessidade”, na avaliação do gestor.
Houve troca ainda no comando do setor de Merenda Escolar porque a Prefeitura quase perdeu três toneladas de alimentos, especialmente carne, estocadas desde o ano passado. Ele disse que até “chorou” quando viu a situação. No entanto, admitiu que a entrega foi feita a tempo, antes do vencimento da validade.
“Agora a gente tem muitas coisas para acertar e o nosso desafio nesse momento é fazer esses ajustes e as mudanças em contratos e na forma trabalhar”, enfatiza. O objetivo, adverte, é promover um “choque de gestão” e implementar reformas a partir de março, com término de ações ainda neste ano.
Cunha explica que está se movimentando para criar empregos e evitar que os moradores da cidade trabalhem em outros municípios. Ele interviu para garantir a permanência de uma empresa na cidade.
“A NeoBPO presta serviços em Mogi há alguns anos e estava para sair por uma questão de falta de diálogo e de negociação. Se isso acontecesse a cidade, iria perder 4 mil empregos. Mas sentamos para conversar com a direção, entendemos as necessidades, articulamos uma saída para os problemas para que ela permaneça aqui”, relata.
O atual governo planeja adoção de política de incentivo fiscal com a revisão do percentual de ISS, mas o prefeito explica que busca uma justificativa jurídica para isso, por não poder apontar uma renúncia de despesa, sob o risco de gerar improbidade. “Na verdade, muitas empresas deixaram a cidade por conta do aumento do ISS que 2% passou para 3%, 4%. Estamos analisando uma proposta de redução para voltar a 2%, que é o limite”.
Reforma Administrativa
O projeto prevê a criação das secretarias de Sustentabilidade e Inovação, e Transparência e Participação, desmembramento e integração de outras pastas, remodelações de cargos, novo organograma, enxugamento da máquina e processo mais digital.
Nesse primeiro momento, observa ele, os secretários empenhados em realizar trabalho integrado, como acontece com Saúde, Educação e Assistência Social no combate à Covid-19, vacinação e volta às aulas. Ele promete novidades para marcar os 100 dias de governo e já anunciou aumento no efetivo de segurança e monitoramento, e 37 novos ônibus para a frota.