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Bispo defende a justiça na missa pelos seis anos das chacinas de Mogi

Familiares das vítimas das chacinas do Caputera e de Jundiapeba realizam uma missa em intenção dos jovens que morreram em 24 de janeiro de 2015, em uma das execuções registradas em Mogi das Cruzes entre 2013 e aquele ano. O bispo diocesano, dom Pedro Luiz Stringhini, pregou a cultura da paz, a partir do viés […]

Por O Diário
24/01/2021 18h52, Atualizado há 66 meses

Familiares das vítimas das chacinas do Caputera e de Jundiapeba realizam uma missa em intenção dos jovens que morreram em 24 de janeiro de 2015, em uma das execuções registradas em Mogi das Cruzes entre 2013 e aquele ano. O bispo diocesano, dom Pedro Luiz Stringhini, pregou a cultura da paz, a partir do viés da “justiça, da igualdade e do olhar aos pobres, humildes”, e também cobrou a chegada das vacinas contra a Covid-19, mas “vacinas para todos”, em alusão aos desacertos do Governo Federal na gestão na pandemia.

Momentos antes da celebração, a vereadora e professora Inês Paz (PSOL) leu os nomes de todos os jovens e homens mortos naquele período na cidade. A missa se tornou um ato político desde 2016, quando o bispo diocesano fez a primeira celebração em memória às vítimas, no mesmo local onde eles foram mortos, no bairro do Caputera, em frente à casa de uma delas, Ivan Marcos dos Santos Souza.

Nos anos seguintes, no entanto, a missa foi realizada na Catedral de Santana e, mais recentemente, na Igreja São João Batista, no Mogi Moderno.

Dom Pedro, na homilia, saudou os familiares das vítimas e os jovens que acompanham a missa. “Os jovens representam um futuro promissor. E nós devemos confiar que vamos vencer tantas barreiras, a violência, a pandemia, a injustiça, e possamos construir um mundo melhor”.

No evangelho de Paulo, em uma das cartas aos coríntios, a mensagem era sobre a brevidade do tempo. “O tempo é breve. O que importa é que os que têm mulher vivam como se a não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem; os que usam deste mundo, como se dele não usassem. Porque a figura deste mundo passa.”

A figura deste mundo passa, comentou dom Pedro, se refere a tudo “o que não é bom e nem de Deus”.

Segundo ele, “os esquemas, as organizações deste mundo, tudo está com o tempo abreviado, desde que a gente pode se converter, mudar e se transformar. Deus olha com carinho para os que sofrem e choram. O tempo novo é de mudança”.

Nesse momento, o religioso criticou a gestão do Governo Federal no enfrentamento da Covid-19: “O tempo não é de não cuidar da saúde, como Brasil… Cadê a vacina, que chegou, mas não chegou para todos? O Governo Federal nem queria que (a vacina) chegasse. Fez tudo para atraplhar. Chega do que está errado. Esse é um tempo novo, que a gente precisa conversar sobre a ‘figura do mundo’, que na carta de Paulo, significa o que não é bom. O cristo segue o caminho de Deus, da verdade, o Deus que nos dá uma mensagem de esperança e de encorajamento”.

Uma faixa com fotografias dos jovens foi carregada pelas mães, ao altar da Igreja São João Batista.

 

História

Da série de 13 chacinas e homicídios, a maior parte já foi a julgamento, com a condenação dos ex-policiais Fernando Cardoso Prado de Oliveira, que cumpre 132 anos, e Wanderlei Messias de Barros, que está em prisão domiciliar, após ser condenado a 82 anos de detenção. Ele, no entanto, obteve o benefício em função das condições precárias de saúde, após tentar o suicídio.

O Grupo de Mães Mogianas, criado após os crimes, luta pela conclusão de todos os inquéritos. A chacina que completa hoje seis anos ainda está inconclusa. Sem uma data para o julgamento e sem responder perguntas dos familiares, como quem eram os executores citados nas cenas das chacinas pelos sobreviventes.

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A missa foi transmitida ao vivo, pelo Facebook da Paróquia São João Batista, de Mogi das Cruzes.

 

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