Em sessão tumultuada, Câmara de Arujá acata veto a aumento de salários do alto escalão
Sessão precisou ser interrompida para que manifestantes fossem retirados do plenário e votação fosse retomada
06/05/2025 11h24, Atualizado há 11 meses
Votação do veto foi marcada por tumulto entre vereadores e população | Reprodução
A Câmara de Arujá acatou, na noite desta segunda-feira (5), o veto parcial ao Projeto de Lei Legislativo nº 28/2025, sancionado pelo prefeito Camargo (PSD) no último dia 30. A decisão aconteceu durante a sessão ordinária de ontem, que foi marcada por um tumulto causado por protestos da população dentro do plenário.
Segundo apurado pelo O Diário, a manifestação ocorreu para pressionar o veto contra o aumento de quase 50% para os cargos do alto escalão da Câmara de Arujá que estava previsto dentro do projeto, que foi aprovado pelos vereadores na semana passada. Esse aumento, inclusive, foi o trecho vetado pelo prefeito, que sancionou o restante do texto e autorizou a continuidade da chamada reorganização administrativa.
Pelo projeto que havia sido aprovado pelos vereadores, os salários dos secretários Jurídico, Legislativo e Administrativo, por exemplo, passariam de R$ 16.519,76 para R$ 24.595,14. Para se ter uma ideia, com a mudança, a remuneração do secretariado da Câmara de Arujá – que foi apontada como a mais cara do Alto Tietê pelo levantamento do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) – superaria a do secretariado da Prefeitura, que, para este exercício, foi fixado em R$ 22.369,39.
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Em meio a gritos e protestos, uma mulher chegou, inclusive, a começar a se despir no meio do plenário, enquanto a sessão acontecia. A segurança da Casa de Leis foi acionada e a sessão foi interrompida para que a manifestação fosse controlada.
Assista:
Após a retomada da votação, os vereadores de Arujá acataram o veto parcial sancionado pelo prefeito. Mais tarde, a presidente da Câmara, a vereadora Professora Cris (PSD) repudiou o ato, ao qual se referiu como “lamentável”.
“As pessoas não conseguem entender que aqui é uma casa de debate e de respeito. Nós [os vereadores] somos eleitos para debater, para discutir assuntos relevantes para a população, mas não querem vir aqui debater, querem vir aqui e fazer disso um palanque. […] Isso é um absurdo e nós não vamos tolerar isso”, disse a vereadora ao retomar a sessão.
Ainda em repúdio ao ato realizado, pelas redes sociais, a vereadora publicou um trecho de sua fala e acusou um grupo – sem especificar qual – de ir à sessão para “fazer baderna e desrespeitar os presentes”.
A Câmara de Arujá também formalizou uma nota de repúdio sobre o episódio e reiterou que “manifestações e a participação popular são pilares da democracia e sempre serão respeitadas, desde que ocorram de forma civilizada e responsável”.
Entenda o projeto
O Projeto de Lei nº 28/2025 é um fruto do Projeto de Resolução nº 22/2025, que abordava a chamada reorganização administrativa da Câmara de Arujá. Entre outras coisas, o projeto propõe a criação de dez novos cargos públicos e 32 vagas de estágio no Legislativo.
Entretanto, o ponto que causou a polêmica em torno do texto foi um aumento de 48,88% para cargos de chefia da Câmara de Arujá. Esse aumento seria concedido através de uma “equiparação” das referências dos salários-base.
Após a sua aprovação na Câmara, o projeto foi encaminhado para a prefeitura, que vetou parcialmente o texto antes da sanção. O trecho aborda, justamente, a mudança nas referências salariais que, segundo o secretário de Gabinete Vinicius de Moraes, eram desproporcionais e “ausente de razoabilidade”.
Em nota encaminhada ao O Diário ontem, o Legislativo confirmou que acataria o veto do prefeito de Arujá, o que foi feito na retomada da sessão ordinária após o tumulto.