Polícia investiga atendimento do Samu após morte de vítima de acidente, em Mogi
Socorristas do Samu informaram a polícia que a vítima havia recusado o atendimento médico e decidiram encerrar o procedimento
14/05/2025 11h22, Atualizado há 11 meses
Atendimento no Samu no dia da ocorrência | Reprodução
O montador de móveis Manoel Ferreira, de 33 anos, foi encontrado morto na manhã do último sábado (10) em uma avenida do distrito de Brás Cubas, em Mogi das Cruzes, poucas horas depois de se envolver em um acidente de moto e ser atendido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O caso é investigado como morte suspeita, e a conduta dos profissionais que participaram do atendimento está sob apuração.
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Segundo a Polícia Militar, Manoel pilotava uma motocicleta quando colidiu com um caminhão estacionado na Rua Edite Inácio da Silva, por volta das 3h12. O motorista do caminhão acionou o Samu, que chegou ao local às 3h47. De acordo com o relato dos profissionais, a “vítima apresentava comportamento agitado e saiu da ambulância de forma abrupta, recusando o atendimento.”
Um vídeo gravado pelo proprietário do caminhão mostra os socorristas tentando dialogar com Manoel, tentando fazer ele voltar para o veículo. “Manoel, você não pode ficar aqui no meio da rua. A gente tentou te ajudar, a gente colocou você lá [na ambulância], dentro do protocolo. Tem alguém da sua família para a gente ligar?”, diz uma das profissionais. A vítima, aparentemente desorientada, não responde com clareza. A socorrista insiste: “Você não ajuda a gente.”
Com a situação, a própria equipe do Samu solicitou apoio da Polícia Militar. Quando os agentes chegaram, os socorristas informaram que a vítima havia recusado o atendimento médico e decidiram encerrar o procedimento.
Cerca de duas horas depois, por volta das 6h, um novo chamado foi feito ao 190 por moradores da Avenida Governador Adhemar de Barros, a aproximadamente três quilômetros do local do acidente. Eles relataram a presença de um homem desacordado na via. A Polícia Militar foi até a Avenida Anchieta e confirmou que se tratava da mesma pessoa atendida anteriormente. A morte foi constatada no local.
A PM instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar tanto a recusa de atendimento quanto uma possível omissão de socorro por parte da equipe do Samu. Em nota, a corporação declarou que “permanece à disposição da sociedade para garantir a preservação da ordem pública e reitera seu compromisso com a transparência e a responsabilidade na apuração e no pleno esclarecimento dos fatos”.
A investigação criminal do caso está sob responsabilidade do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) de Mogi das Cruzes.
O que dizem os envolvidos
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que o Samu é um serviço federal, cuja gestão local é feita pelo Consórcio Regional de Saúde do Alto Tietê (Cresamu), que reúne seis municípios. A operação é realizada pelo Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS).
Em nota, o Cresamu afirmou que determinou o afastamento imediato da equipe envolvida no atendimento — medida que já foi adotada — e cobrou o envio de todas as informações às autoridades competentes. O consórcio declarou ainda que o atendimento “não seguiu os protocolos exigidos, sobretudo no aspecto médico e humano”. A nota também expressa solidariedade à família da vítima e reforça que o caso está sendo acompanhado de perto.
O INTS, por sua vez, informou que instaurou uma apuração interna e também afastou preventivamente os profissionais envolvidos. A organização lamentou o ocorrido e afirmou que está colaborando com as investigações.
Família cobra Justiça
O irmão de Manoel, Luiz Thiago, afirmou que, em sua visão, houve negligência no atendimento. “Talvez meu irmão estivesse alterado, mas ele não tinha consciência do que havia acontecido. Ele foi descartado e deixado para morrer na rua”, declarou.
Segundo ele, há vídeos que registram a conduta dos profissionais do Samu no local. “Queremos justiça. Profissionais da saúde fazem juramento para salvar vidas, independentemente de quem seja a pessoa”, completou.