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‘Me senti um nada’, diz auxiliar de sala em protesto após demissão em massa em Arujá

Em paralelo à manifestação, representantes da categoria participavam de uma reunião na Secretaria de Educação Municipal

Por Victoria Freitas
15/12/2025 18h11, Atualizado há 5 meses

Auxiliares de Vida Escolar protestam em frente à prefeitura de Arujá após demissão em massa | Foto: Divulgação

Prestadoras de serviço que foram dispensadas pela Organização Social (OS) ODIN e mães que se solidarizaram com a situação se reuniam na tarde desta segunda-feira (15) em frente à Prefeitura de Arujá, como forma de protesto pela demissão em massa que sofreram na última semana.

As Auxiliares de Vida Escolar (AVE), profissionais que oferecem suporte à crianças atípicas em salas de aula da rede pública municipal, alegam terem sido pegas de surpresa com o desligamento, uma vez que seus contratos ainda tinham tempo de duração.

Michele Alves é uma das prestadoras desligadas e compartilha que receberam uma comunicação via WhatsApp, convocando para uma reunião de alinhamento que aconteceu na última sexta-feira (12), ás 10h. “Confesso que a gente não estava com esse pensamento de que todas seriam mandadas embora, quando chegamos lá, enrolaram bastante mas chegaram ao ponto: estamos desligando todas vocês. Alguns dos nossos contratos iriam até fevereiro, outros em março de 2026… não quiseram escutar a gente, não falaram nada”, diz. Segundo a prestadora, 322 auxiliares sofreram com o desligamento sem aviso prévio.

Tatiane de Souza, também atuava como auxiliar e diz que muitas das vezes, realizavam atividades não só com as crianças atípicas, mas auxiliavam também com os demais alunos e até na escola, em geral. “Eu acho que nós entregamos o que era proposto e não fomos reconhecidas. Eles alegaram muitas coisas, na reunião eu me senti um nada. Muitas das vezes, saímos das nossas casas muito cedo, deixava meus filhos em casa… não só eu, mas muitas de nós aqui, que somos mães. Entramos às 7h e saímos às 18h, fazendo uma jornada de muitas horas, não podíamos ficar doentes, era descontado, a gente assinava ponto”, desabafa.

Prestadoras que preferiram não se identificar compartilharam que receberam ameaças via WhatsApp, “quem aparecesse nas fotos da manifestação não seria recontratada de jeito nenhum”, desabafam.

Sobre a expectativa depositada na reunião que acontecia na Secretaria de Educação junto ao jurídico da prefeitura de Arujá, em paralelo ao protesto, a pauta levada pelas prestadoras incluía a importância da continuidade do atendimento; A Vigência do Termo de Colaboração nº3.524/2023; Situação dos contratos individuais e esclarecimentos sobre valores por hora de serviço.

Uma das representantes presente na reunião diz que foi solicitado o prazo até a próxima sexta-feira (19) para conclusão dos pontos levantados. A prestadora compartilha que receberam uma proposta de dar continuidade nos contratos ao longo do mês de dezembro, mas prontamente foi negada pelas representantes das auxiliares.

Mães atípicas prestam apoio

Rute Adriana Silva é professora e mãe atípica, ela compareceu ao movimento junto às prestadoras para apoiar e reforçar a importância da continuidade do trabalho das auxiliares.

“Eu luto há 17 anos, estou aqui apoiando esse movimento porque a necessidade é muito grande. Nós precisamos urgente de ter professores junto, auxiliando nossos filhos. Eu fui estudar, aprender sobre educação especial pra poder ajudar ele, meu filho. Nós como mães sofremos muito com os nossos filhos na escola, nós estamos aqui pedindo essa ajuda, sem elas nós não vamos conseguir. As auxiliares vão fazer muita falta, eles precisam disso, é necessidade”

O que diz a administração municipal

A prefeitura de Arujá, emitiu uma nota de esclarecimento na parte da manhã, mas procurada pelo O Diário, preferiu não se pronunciar durante a manifestação. Em nota, a administração municipal diz:

A Secretaria de Educação se reuniu na última sexta-feira (12) com prestadores (as) de serviço da Organização Social – ODIN, após a Prefeitura ser surpreendida com a rescisão contratual imediata promovida pela referida OS, que presta apoio complementar aos professores nas escolas.

Após negociação, a entidade (OS) prorrogou a data da rescisão, que seria 12 de dezembro, para o dia 30 de dezembro, de modo a reduzir o impacto financeiro para os prestadores de serviço, assegurando, inclusive, maior tempo para que a pasta da Educação adote medidas promovendo a licitação e escolha de nova entidade para manutenção do programa de atendimento de apoio aos alunos, no início das aulas em 2026.

A Secretaria de Educação de Arujá pontua que, em razão do recentíssimo Decreto Federal nº 12.773, de 8 de dezembro de 2025, foram alteradas normas na Política Nacional de Educação Especial, com novas exigências para essa modalidade de contratação, as quais estão em análise pelo Jurídico da Prefeitura.

A ODIN também foi procurada pela redação do O Diário, mas não obtivemos retorno até o fechamento deste material.

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