Bolsonaro nega plano de golpe e se diz contra ruptura institucional
Interrogatório foi realizado nesta terça-feira (10/6), no inquérito que investiga uma suposta trama golpista para impedir a posse do presidente Lula
10/06/2025 16h53, Atualizado há 10 meses
Em depoimento à Polícia Federal no âmbito da ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou ter cogitado ou participado de qualquer plano de golpe de Estado. O interrogatório foi realizado nesta terça-feira (10/6), no inquérito que investiga uma suposta trama golpista para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após as eleições de 2022.
Bolsonaro declarou que “nunca se falou em golpe” durante seu governo, e classificou como “abominável” qualquer tentativa de ruptura institucional. “Golpe, além de ser imprevisível, é danoso para todo mundo”, disse o ex-presidente. Ele afirmou que nunca incentivou, elaborou ou autorizou a elaboração de qualquer documento nesse sentido.
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Segundo Bolsonaro, não houve qualquer modificação em uma minuta de decreto que teria sido encontrada entre os documentos de seu ex-ajudante de ordens, Mauro Cid. “Nunca pedi para enxugar, editar ou adaptar qualquer texto. Não houve cabeçalho, nem fecho de documento”, declarou.
O ex-presidente também negou a existência de qualquer articulação concreta para decretar estado de sítio, embora tenha admitido que essa hipótese foi mencionada em reuniões com conselheiros jurídicos e políticos. “Em poucas reuniões, abandonamos qualquer possibilidade de ação constitucional”, afirmou.
Bolsonaro ainda se distanciou de apoiadores mais radicais que, segundo ele, defendiam ideias “malucas”, como a volta do AI-5 ou intervenção militar. “As Forças Armadas jamais embarcariam nessa”, afirmou. Ele também classificou como exagerada a versão de que teria recebido voz de prisão por parte do ex-comandante do Exército, general Freire Gomes.
O ex-presidente é investigado como parte do chamado “núcleo político” do inquérito, acusado de liderar uma suposta organização criminosa que tentou impedir a transição democrática do poder. A Procuradoria-Geral da República sustenta que o grupo atuou em várias frentes, desde a produção de desinformação até a tentativa de cooptação de militares.
Outros sete réus do mesmo núcleo devem ser ouvidos até o final desta semana. O julgamento está previsto para o segundo semestre deste ano. Em caso de condenação, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.