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Entenda o combate da Polícia Civil à pedofilia na internet

A 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia trabalha na caça de criminosos que têm como alvo crianças e adolescentes

21 de maio de 2024

Além de combater a produção e o consumo de pornografia infantil, os policiais também precisam lidar com outra modalidade criminosa: o 'estupro virtual' | Divulgação -SSP

Reportagem de: O Diário

Quem entra em uma das salas do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no centro da capital paulista, se depara com uma brinquedoteca com adesivos coloridos nas paredes e ursinhos de pelúcia. Na parede oposta, uma placa metálica indica que ali funciona a 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia. É neste local que a equipe de investigadores trabalha na caça de criminosos que têm como alvo crianças e adolescentes.

O trabalho de investigação sobre o crime de pedofilia é feito quase todo na internet – ambiente virtual em que infratores usam o aparente anonimato da rede para consumir conteúdo pornográfico infantil e aliciar menores de idade. Além de combater a produção e o consumo de pornografia infantil, os policiais também precisam lidar com outra modalidade criminosa: o “estupro virtual”.

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“A nossa delegacia é praticamente virtual. Nós buscamos por crimes digitais, como troca de fotos, vídeos e produtores de vídeos. Essa modalidade é mais recente, e acontece quando um aliciador se passa por uma criança ou um adolescente para ter contato com as vítimas por meio das redes sociais. Após criar um vínculo afetivo, ele induz a vítima a produzir fotos e vídeos, geralmente com nudez, e passa a ameaçá-la caso ela não faça algo que ele manda, como enviar as imagens, por exemplo”, detalha a investigadora Ana Paula Ferraz Gandolfi.

Há também casos em que a vítima envia o material e passa a ser chantageada para não ter o conteúdo publicado. Muitas vítimas passam meses sob pressão, o que acaba afetando o comportamento e pode acender um alerta para os pais de que algo está errado.

“A criança, depois de uns 3 meses passando por essa situação, está tão esgotada que não aguenta mais. Com isso, os pais começam a notar a mudança de comportamento e aí, na primeira oportunidade, vão olhar os celulares dos filhos para tentar entender o que está acontecendo. É nesta hora que os pais descobrem que os filhos estão sofrendo abuso”, afirma o investigador Alexandre Scaramella.

‘Caçadores’ de abusadores na Deep Web

Além de monitorar redes sociais em busca de material pornográfico infantil, a Polícia Civil de São Paulo conta com outra ferramenta para a investigação: a infiltração nos grupos de criminosos que vendem e compartilham cenas de abuso na chamada Deep Web. 

A infiltração é autorizada por meio da lei nº 14.332, que também estabelece um prazo limite para que os policiais coletem provas para o indiciamento de uma ou mais pessoas. Com as infiltrações, os policiais conseguem identificar o modo de agir desses criminosos, a linguagem que usam, símbolos e até tatuagens.

“Eles têm essa necessidade de se identificar. Como vivem à margem da sociedade, têm essa necessidade de se encontrar, não só na internet, mas também no mundo real”, detalha o investigador Jorge André Domingues Barreto.

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