O dinheiro ficando menos caro
Se essa redução não viesse agora, haveria ainda um agravante
05/08/2023 07h17, Atualizado há 25 meses
Economia | Reprodução/ Freepik
A redução de meio ponto percentual na taxa básica de juros do Brasil, de 13,75% para 13,25%, divulgada pelo Banco Central nesta semana, foi um aceno importante para um dinheiro “menos caro” no país. O cenário que se desenhava nos últimos meses era insustentável economicamente, por diversos motivos. Mais de 60 milhões de brasileiros se encontram endividados, impossibilitados de consumir a juros tão altos. A indústria teve um primeiro semestre dificílimo, sobretudo no último trimestre, com lay offs e férias coletivas, para evitar demissões. O setor de serviços ainda conseguiu se manter, mas, de maneira geral, ele não se sustenta sozinho.
Esse período de embate entre o governo federal e o Banco Central, que se arrastou durante meses, fez também com que aquela pessoa que esperava para trocar de carro, pegar uma linha de crédito para reformar a casa ou mesmo comprar outro imóvel, ficasse em situação de espera, à espera de financiamento menos custoso
Se essa redução não viesse agora, haveria ainda um agravante: o segundo semestre é o período em que,costumeiramente, as famílias estão com as contas mais equilibradas. Já o primeiro trimestre do ano – caso ficasse para depois – é marcado por impostos como IPTU, IPVA, além de material escolar, fatura do Natal, então esse respiro na economia só aconteceria após o mês de março de 2024.
A taxa de juros mais baixa, ainda que em meio ponto, incentiva a criação de linhas de crédito mais baratas, para impulsionar a roda da economia: se mais se consome, mais a indústria produz.
Também começa a se criar uma atmosfera para que a indústria, que estava investindo o dinheiro – porque a rentabilidade do mercado financeiro estava muito maior – voltei a fazer ampliação. Quem amplia precisa de mais mão de obra, mais serviços e, consequentemente, a roda da economia volta a girar de forma mais saudável e em cadeia com os outros setores.
Claudio Costa é diretor-executivo da Agência de Fomento Empresarial (AGFE)