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Comandante do CPAM-12 quer união de forças para combater crime em Mogi

O titular do Comando de Policiamento de Área Metropolitano (CPAM-12), coronel Rodrigo Quintino, mesmo tendo assumido o cargo há menos de 20 dias em meio a um turbilhão reclamações sobre problemas com aumento da criminalidade no município, disse não considerar Mogi das Cruzes uma cidade violenta. Admite, no entanto, a necessidade de adotar medidas urgentes […]

14 de abril de 2023

Reportagem de: O Diário

O titular do Comando de Policiamento de Área Metropolitano (CPAM-12), coronel Rodrigo Quintino, mesmo tendo assumido o cargo há menos de 20 dias em meio a um turbilhão reclamações sobre problemas com aumento da criminalidade no município, disse não considerar Mogi das Cruzes uma cidade violenta. Admite, no entanto, a necessidade de adotar medidas urgentes para devolver a tranquilidade à população, que vive um clima de medo, com a ocorrências de roubos e furtos no centro, nos bairros, além de problemas de segurança nas escolas.

“De forma geral, Mogi não é a uma cidade violenta se a gente comparar com outras cidades do mesmo porte Estado. Inevitavelmente, a gente passou por uma pandemia, época em que os índices criminais melhoraram até em razão do lockdown, período em que as pessoas ficaram fechada em casa. Agora a sensação é de que os casos aumentaram porque as pessoas retomaram a rotina. Mas, mesmo assim, ainda há números muito positivos na cidade. É que as vezes é difícil para nós, enquanto Polícia Militar, trabalhar essa percepção de segurança por parte da população. Os casos acontecem de fato, mas não que eles estejam aumentando de uma maneira geral”, argumenta o comandante.

Pressão
Essa não é a mesma percepção dos comerciantes e da população. A cidade vive  um sentimento de medo pela ousadia dos marginais, que desafiam até a polícia, tanto que no início desta semana a Delegacia de Investigações Sobre o Meio Ambiente (Dicma) de Mogi das Cruzes , localizada ao lado do 2º DP foi novamente invadida. Os bairros também registram crimes. As residências são frequentemente invadidas por marginais que roubam e furtam desde o carro a botijão de gás. 
Em meio a esse clima de insegurança, logo após a sua posse, no dia 27 de março, o comandante se reuniu com membros do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio), representantes do poder público e com sua equipe  para traçar um plano de ação para combater o crime.

Durante o encontro, ele disse que para isso, “o caminho é a cooperação e a sinergia entre as forças de segurança da cidade”, mesmo argumento que reforçou nesta entrevista a O Diário para falar sobre os planos como comandante do CPAM-12. 
Para agilizar esse processo, o coronel conta que será realizado um seminário técnico, num prazo de 20 a 30 dias, com todos os operadores de segurança pública para montar uma estratégia de ação.  
“Não tem outra forma de agir. Atualmente, qualquer instituição que seja, ela não tem perna para atacar em todos os segmentos, até porque o problema ‘segurança pública’ é complexo e não depende única e exclusivamente da Polícia Militar ou da Guarda Municipal. Então quanto mais esses atores estiverem integrados, trabalhando de maneira coordenada na prevenção, tenho certeza seremos mais assertivos na condução desse problema. Nesse seminário vamos tentar trazer preliminarmente alguns desses atores para saber o que cada um está fazendo, entender as dificuldades e de que forma a gente pode melhorar essa sinergia”.
Algumas ideias imediatas já estão sendo adotadas, como a questão dos horários. Ele explica que a partir de um ajuste, a “Guarda Municipal vai dar cobertura em um local até determinado horário e a polícia em outros período alternando para a gente otimizar o trabalho e sempre viaturas rodando na cidade”.  Na avaliação dele é importante que a polícia tenha visibilidade e que a população veja o efetivo nas ruas para se sentir protegida.  
Ele destacou a importância do uso da tecnologia e  os investimentos da Prefeitura com a instalação de barreiras eletrônicas, importante para conseguir impedir, por exemplo, furtos e roubos de carros. Outra medida é a interligação das câmeras instaladas no comércio com a Central Integrada de Emergências Públicas (Ciemp) e com Polícia Militar para dar uma resposta mais rápida às ocorrências. 
A rede de segurança é reforçada da cidade pelos agentes que participam do programa Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial-Militar (Dejem),  trabalhando fora do turno, com sistema de horas extras – e empresas de segurança privada contratada pelo comércio e por condomínios. Tem ainda programas com a Vizinhança Solidária, sistema que permite uma comunicação mais rápida com a polícia e uma maior integração entre moradores.   
“A intenção é ter mais pessoas e instituições olhando para a área central da cidade, trocando informações em busca de ações preventivas. Não é um trabalho de curto prazo, mas que a gente se organiza no curto prazo para que possamos colher os frutos a médio e longo prazo”, reforça.

Escolas
A segurança nas escolas da cidade é também uma das prioridades do novo comandante Quintino. Ele disse que a PM está dispensando uma atenção diferenciada às escolas para tranquilizar  alunos, pais e educadores, alarmados com os acontecimentos recentes que aconteceram em São Paulo e Santa Catarina.
“Colocamos todos os nossos capitães, comandantes territoriais e os nossos tenentes nas ruas 24 horas por dia, atentos a essa questão escolar. Já fizemos algumas reuniões pontuais nas escolas e estamos orientando as pessoas sobre como devem proceder diante dessa comoção que, pode-se dizer até que é nacional”, afirmou.
Para ele,  é preciso evitar as fake news, que muitas vezes provocam pânico na comunidade. “O papel da polícia neste momento é ser técnico e não estimular esse tipo de comportamento. As pessoas não podem super dimensionar essas notícias sem a real comprovação para evitar alarmes falsos”, alerta. 
A orientação é para que toda sociedade, ao notar qualquer anormalidade ou testemunhar algum crime nas escolas ou em suas imediações, entre em contato por meio do telefone 190, emergência, ou pelo aplicativo 190SP que está disponível para os sistemas Android e IOS. 
“Diante de qualquer dúvida ou suspeita não hesitem em acionar a polícia militar. Acredito que a integração e sinergia entre os atores em qualquer situação é fundamental para sucesso na prevenção. Peço aos diretores de escolas, professores e os pais que estejam atentos ao comportamento dos alunos, crianças e adolescentes, que não têm, muitas vezes, o discernimento do que determinadas atitudes podem causar em termos de criar uma situação é de risco”, reforçou.

Perfil

O coronel Rodrigo Quintino assumiu em  27 de março, o Comando de Policiamento de Área Metropolitana (CPAM-12), no lugar do coronel Wagner Giurni Gomes, que desde fevereiro do ano passado era o responsável pela segurança nos municípios de Mogi das Cruzes, Salesópolis, Biritiba Mirim, Guararema, Itaquaquecetuba, Suzano, Poá e Ferraz de Vasconcelos.

Com 30 anos de carreira, coronel Quintino atuou em diversas unidades operacionais e administrativas, foi comandante de Posto e Sub Grupamento de Bombeiros, assessor militar da Secretaria Nacional de Segurança Pública – Brasília/DF, diretor da Defesa Civil do Estado de São Paulo.
Em 2021, ainda como tenente-coronel, foi nomeado para comandar o 15º Batalhão da PM de Franca, que concentra 23 cidades daquela região. Atuou em Araçatuba, além de ter sido diretor da Casa Militar. Desde maio do ano passado, respondia pela chefia de Gabinete da Casa Militar do Governador do estado.
Ele é formado em Educação Física, e tem certificado de cursos de Salvamento Terrestre e Inteligência Policial. Fez mestrado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, Doutorado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, curso de Fisiologia do Exercício – Faculdade de Medicina da USP, Administração de Empresas – Universidade Mackenzie, MBA (Master Business Administration) Executivo – Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa). (S.C.)

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