Diário Logo

Notizia Logo

Série de furtos assusta moradores de quarteirão da rua Ricardo Vilela, em Mogi

Professora universitária que reside há mais de 30 anos em um dos primeiros quarteirões da rua Dr. Ricardo Vilela, Leni Pontinha Calderaro, teve a casa furtada 5 vezes, entre o final de fevereiro e março deste ano. Até o imprevisto aconteceu: uma sequência de três noites seguidas de tentativas e um furto concretizado sendo que, […]

8 de abril de 2023

Reportagem de: O Diário

Professora universitária que reside há mais de 30 anos em um dos primeiros quarteirões da rua Dr. Ricardo Vilela, Leni Pontinha Calderaro, teve a casa furtada 5 vezes, entre o final de fevereiro e março deste ano. Até o imprevisto aconteceu: uma sequência de três noites seguidas de tentativas e um furto concretizado sendo que, durante uma dessas madrugadas, três diferentes bandidos tentaram invadir casas no mesmo perímetro. 

O relato da professora acontece depois de outros moradores – que não querem se identificar, também terem sido alvo de bandidos que “limparam” as casas, quando os ocupantes não estavam no local. Os relatos surpreendem e integram um período marcado por outros boletins de ocorrência sobre furtos e arrombamentos de comércios na região central e no Cemitério São Salvador. 

A Polícia Militar e a Guarda Municipal têm reforçado as rondas, inclusive, nas madrugadas (veja abaixo).

Mogiana que não pretende deixar a residência onde vive há três décadas, ela procurou O Diário para relatar os casos que podem servir de alerta a outros moradores e, sobretudo, às autoridades. “Eu transformei a minha casa em uma espécie de ‘CDP’, com cadeados, portões, cercas”, esmiuça.

O primeiro furto foi de um notebook, que estava na sala da casa, e foi levado durante a madrugada, quando a família estava dormindo na residência. Dois dias depois, foi desparafusado e retirado o portão principal.

Outras peças do gradil foram retiradas alguns dias depois – só que, naquela noite, um vizinho ouviu o barulho, saiu de casa, correu atrás do ladrão e conseguiu recuperar o material.

No início de março, em três noites seguidas, a presença de marginais acordou a família e vizinhos. A Polícia e a Guarda Municipal têm sido chamada e agentes acompanham esses acontecimentos – em uma das vezes, um homem foi detido pelos agentes. 

Numa destas noites, após os policiais deixarem esse trecho da Ricardo Vilela, uma outra tentativa de invasão aconteceu e, ao ligar novamente para o 190 (PM) e o 153 (Guarda Municipal), Leni lembra que os atendentes disseram que as viaturas já tinham ido para o endereço – “só que outros bandidos chegaram, logo após essa primeira ocorrência”, recorda-se ela.

Após a série, a professora esteve na Prefeitura e foi recebida pelo secretário municipal de Segurança Pública, Toriel Sardinha, que prometeu reforçar a passagem os guardas e a reativação de uma câmera de monitoramento existente na esquina das ruas Ricardo Vilela e Antonio Cândido Alvarenga, que permanceu algumas semanas desligada.

“A promessa era de voltar a câmera agora, no início de abril”, conta, acrescentando que outros moradores acumulam prejuízos. Um dos vizinhos teve equipamentos como televisão, computador, jóias e outros objetivos furtados durante uma invasão.

Uma família formada apenas por mulheres também foi alvo do mesmo crime. Nesse caso, a casa possuía dois portões. Imagens recuperadas de uma câmera particular revelam que os bandidos abriram um deles, entraram com um carro na garagem e permaneceram no interior da casa durante algumas horas, escolhendo os itens a serem surrupiados.

“As pessoas temem denunciar, estão com medo”, resume, acreditando que a violência não é exclusividade de Mogi, porém, os casos exigem respostas do poder público.

São Salvador

A família Calderaro também foi vítima da gangue que atua desde o final do ano passado no Cemitério São Salvador e tem feito a “limpa” nos nichos, com a retirada de identificações, portões e figuras sacras. Segundo conta a professora, peças de bronze com os nomes de familiares enterrados no túmulo familiar também foram furtadas neste ano.

Segurança

O secretário Toriel Sardinha, que responde pela Segurança Pública em Mogi das Cruzes, admite o avanço dos furtos, mas argumenta que outros índices criminais, como roubos e homicídios, estão em queda na cidade. Ele defende comparações com anos anteriores, que demonstram uma queda dos crimes mais violentos na cidade.

A Guarda Municipal iniciou há poucos dias, uma ronda noturna específica na região central e no entorno do Cemitério São Salvador, que será contemplado com câmeras, e medidas como a melhoria da iluminação. A Prefeitura de Mogi das Cruzes não tem mais o cargo de vigilante – e a segurança desse local estará à cargo da Guarda Municipal.

Toriel afirma que, hoje, as rondas sobrecaem quase que exclusivamente à Guarda Municipal. Ele também afirma que cidades como Itaquaquecetuba têm índices mais altos do que Mogi.

Delegado de Polícia que assumiu a pasta há mais de um ano, ele opina que o aumento dos furtos está ligado à pandemia, quando muitas pessoas ficaram desempregadas e houve um aumento da população de  rua e da dependência química. Esses fatores, explica, compõem o quadro de aumento dos furtos nos últimos meses.

Até setembro, a Prefeitura deverá concluir a implantação de novas câmeras de monitoramento para sanar situação herdada de outras gestões. Atualmene, das 110 câmeras espalhadas pela cidade, 55 estão desativadas – no centro, estão nessa situação 17. Aos poucos, com a substituição por equipamentos com  novas tecnologias, ele espera uma mudança na prevenção e identificação de marginais.

Ferro-velho

Outra medida a ser acompanhada no futuro próximo são fiscalizações ao mercado de ferro-velho. Peças furtadas em casas e comércios, como o bronze, o latão, tiveram um aumento de preço no mercado. “Eles descobriram isso e, por isso estão indo ao cemitério onde encontram essas peças”. No caso do bronze, exemplificou, o preço subiu de R$ 8 para R$ 40. A Prefeitura irá mapear os pontos de compra e venda e iniciar vistorias para atingir um outro flanco que sustenta a onda de furtos.

Veja Também