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Torneio de futebol em Biritiba Mirim termina em confusão pela premiação do time derrotado

Mais do que árbitro de futebol nas horas vagas, Jurandir Civalle era também um torcedor fanático do Biritiba Mirim FC, do tipo capaz de fazer de tudo – e mais um pouco – para ver o seu time vencer. Tanto que se tornou presidente da equipe formada da década de 60, logo após a recente […]

2 de abril de 2023

Reportagem de: O Diário

Mais do que árbitro de futebol nas horas vagas, Jurandir Civalle era também um torcedor fanático do Biritiba Mirim FC, do tipo capaz de fazer de tudo – e mais um pouco – para ver o seu time vencer.

Tanto que se tornou presidente da equipe formada da década de 60, logo após a recente emancipação político-administrativa daquele município, até então, um distrito com sede em Mogi das Cruzes.

Eleito prefeito da cidade, na primeira eleição pós-emancipação, José Oliva de Melo Júnior, o Zezé, decidiu promover um grande torneio de futebol com os times da cidade e alguns de Mogi.

O evento deveria “fechar com chave de ouro”, expressão  da época, as comemorações do aniversário da cidade, no derradeiro ano de seu governo.

Por isso mesmo, o prefeito apostava todas as suas fichas na competição para atrair um bom público. Afinal, era ano eleitoral e Zezé, sempre muito esperto, já pensava em usar o evento para promover o seu candidato.

Mas, politicagem à parte, a torcida esperava por uma vitória do principal time da casa.

E Jurandir Civalle tratou de preparar sua equipe para vencer o torneio.

Tanto que já nas inscrições dos times havia exigências como carteiras de identidade e carteira profissional assinada, coisas até então impensadas para muitos atletas que moravam nos cafundós da zona rural. 

Ainda assim, seis times se inscreveram e, mesmo com o presidente do Biritiba apitando alguns jogos importantes do torneio, a principal equipe biritibana não conseguiu chegar lá,  desclassificada nos jogos das semi ou quartas de final.

Foi decepcionante para muitos que ainda cultivavam uma ponta de esperança de que o time da cidade pudesse sair vencedor.

E na falta de algo mais interessante para fazer na cidade à época, a grande torcida acompanhou até o último jogo e esperou para ver a entrega das taças para os vencedores.

Pelo menos ali, os valorosos jogadores Biritiba FC receberiam um prêmio pela participação.

Prefeito a postos, começou a entrega das taças.

O time campeão, ganhou a dele, com, no máximo, 30 cm de altura.

O segundo colocado, uma taça menor ainda.

E eis que quando chega a vez do Biritiba FC, Jurandir Civalle, que organizou o evento, passou às mãos de Zezé um magnífico troféu de quase 2 metros de altura para ser entregue ao time derrotado da casa.
Ao ver aquilo, o prefeito não sabia o que fazer, enquanto os jogadores das equipes vencedoras iniciavam um protesto contra o visível protecionismo ao time biritibano, ameaçando jogar fora as diminutas taças recebidas.

Foi preciso a ação da turma do “deixa disso” para contornar o verdadeiro rebuliço que marcou o final da festa.

Entre os apaziguadores, estava o ex-vereador, ex-secretário da Liga de Futebol, ex-jogador e joutro torcedor fanático do Biritiba FC, Elias Tomé da Silva Pires, quem contou mais este causo para a coluna.

 

Pode isso, senhor juiz?

Desportista apaixonado, Jurandir Civalle era um leitor contumaz de “A Gazeta Esportiva”, o “mais completo jornal de esportes do Continente”, como a publicação se autodenominava.

Pois foi lendo a “Gazeta”, que Civalle tomou conhecimento de que a Fifa estava estudando dotar os árbitros de futebol  de cartões amarelo e vermelho para facilitar a comunicação dentro de campo e também com a torcida.

Seria a grande inovação da época, quando viesse a ser adotada nos campeonatos e torneios  de todo o País, como parte das regras do esporte. Civalle não pensou duas vezes e, munido de uma tesoura, cortou dois pedaços de cartolina e colocou no bolso da camisa, antes de iniciar o jogo que iria apitar em Biritiba.

Logo na primeira falta mais dura, ele sacou o cartão amarelo e mostrou para o jogador que não entendeu absolutamente nada.

Os demais também não.

E só então Civalle descobriu, que ele era o único leitor da “Gazeta Esportiva” por aquelas bandas…

Na base do apito amigo

Conta Elias Tomé da Silva Pires que, certa vez, o time do Biritiba Mirim FC foi jogar no campo da Capela do Ribeirão, antiga denominação do atual distrito de Taiaçupeba.

O fanático presidente Jurandir Civalle  decidiu arbitrar o jogo, um tipo de sofisma para tentar garantir a vitória de sua equipe.

Jogo duríssimo que insistia em ficar no zero a zero. 

Beirando os 45 minutos finais, o goleiro defende um ataque do Biritiba  e sai até a grande área para devolver a bola ao seu time.

Foi então que o juiz apitou o sobrepasso, uma outra novidade que ele vira na “Gazeta”, mas que ainda não vigorava oficialmente.

Sobrepasso viria a ser  a infração cometida pelo goleiro, quando dava quatro passos dentro da área com a bola nas mãos.

O Biritiba bateu  a falta de dentro da área e venceu o jogo por 1 a 0.

 

O fabuloso “gol de coelho”
A história era contada pelo saudoso professor José Carlos Miller da Silveira, o “Tuta”, sempre que desejava atormentar o seu cunhado, Eri Brasil de Siqueira, jogador que marcou época nos times do União FC e XI da Saudade, em Mogi.

“Tuta” contava que, num certo final de semana, o time de Eri Brasil foi jogar em Sabaúna, no campo próximo ao antigo Lanifício Santa Josefina, atual fábrica da Fame. Era uma época de muita chuva e a grama  do campo estava, digamos, um pouco mais alta do que deveria.

Tanto que Eri, lançado pela esquerda, iria cruzar para o gol, mas a bola se perdeu no matagal, formado junto à marca do escanteio, que também não existia.

Eri veio na corrida, não viu mais a bola. Só o capim se mexendo. E ele chutou.

E foi assim que o jogador teria feito o primeiro e único gol de coelho da história do futebol.

“Tuta” e suas maravilhosas histórias  fazem muita falta…

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