Deputados do PT usam audiência da Alesp em Mogi para criticar pedágio
Evento recebeu demandas para o Orçamento 2026 do estado de São Paulo; moradores também usaram o espaço para criticar a medida
10/10/2025 14h57, Atualizado há 6 meses
Deputados da Comissão de Finanças conduziram os trabalhos da audiência | Reprodução/CMMC
O encerramento da audiência pública da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) sobre o orçamento estadual para 2026, realizada hoje (10) na Câmara de Mogi das Cruzes, foi marcado por críticas de deputados estaduais do PT à instalação dos pórticos de pedágio nas rodovias da cidade. Durante suas respectivas falas, Ênio Tatto, Luiz Claudio Marcolino e Dr. Jorge do Carmo, todos do PT, condenaram a medida e comentaram sobre a sua rejeição na região.
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Além dos deputados, o vereador Iduigues Martins, também do PT, e moradores da cidade também usaram a audiência pública para se posicionar contra os pórticos instalados na Mogi-Dutra (SP-088) e Mogi-Bertioga (SP-098).
Em sua fala, o deputado Dr. Jorge do Carmo criticou a atuação de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e relembrou a promessa de campanha do governador em relação ao pedágio na região.
“[…] Vou falar de outra proposta interessante que esse governador fez aqui [no Alto Tietê]: os pedágios. Ele disse, quando era candidato, que não ia ter pedágio na Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga. E o presente que o Alto Tietê tá ganhando do governador é o free flow, ‘passe livre‘, né, desde que pague”.
Já o deputado Marcolino, que apresentou dados sobre os repasses estaduais e federais a Mogi das Cruzes, comentou sobre os impactos que a medida deve ter na região. “As vezes, o pessoal não tem dimensão do impacto do pedágio na vida das pessoas. Muitas empresas, na hora de investir ou não em uma cidade, consideram a questão do pedágio um custo”, explicou o deputado.
Marcolino também comentou sobre os investimentos no setor industrial e sobre as exportações, principalmente de Mogi das Cruzes, como as questões mais afetadas pela arrecadação dos pórticos de pedágio eletrônico. Essa questão, vale ressaltar, também foi pontuada pela Agestab (Associação Gestora do Distrito Industrial do Taboão), que teme que o pedágio afaste os investimentos e prejudique o potencial de competitividade do distrito.
Por fim, o deputado Ênio Tatto, que também é vice-presidente da CFOP (Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento) e participou da condução dos trabalhos da audiência, também criticou a medida na região. O parlamentar defendeu, ainda, que no caso da instalação dos pedágios, seja concedida a “tarifa zero” para os moradores da cidade onde o pórtico está localizado. Nesta semana, a prefeita Mara Bertaiolli (PL) também comentou sobre pedir ao Estado a isenção da tarifa aos mogianos e chegou a cogitar ir à Justiça caso não haja acordo.
“Não dá para discutir orçamento hoje, aqui em Mogi das Cruzes, e não falar de pedágio. Eu cheguei aqui e a primeira pessoa que me encontrou, o Iduigues, falou do pedágio. Ai, participei de uma plenária e era sobre o pedágio. Então aqui, na região, a pessoa toma café falando de pedágio, almoça falando de pedágio, janta falando de pedágio e não dorme por conta do pedágio. O Tarcísio tá esparramando pedágio em todo o Estado e é uma preocupação generalizada.”
O deputado Gilmaci Santos (Republicanos), presidente da CFOP, não comentou sobre o assunto.
Outras demandas
Além da questão dos pedágios, os moradores e representantes de entidades da região também levaram demandas sobre outros temas para a audiência. Entre os mais comentados estão os pedidos por mais investimentos na Segurança, com aumento da presença de policiais militares na região; na Educação, com pedidos de mais atenção à estrutura das escolas; e no Meio Ambiente, com foco na prevenção às enchentes.
As demandas apresentadas serão levadas a Alesp para serem implementadas à Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, que fixa as despesas para o ano.