Polícia prende 4 em Santa Isabel, SP e RN por esquema de lavagem de dinheiro com criptomoedas
Investigação apontou movimentação de R$ 146,5 milhões e ligação com um caso de sequestro em Santa Isabel, ocorrido em fevereiro de 2025
07/04/2026 12h34, Atualizado há 5 dias
Policiais cumpriram mandados em endereços em quatro cidades | Divulgação/Polícia Civil
A Operação “Criptonita” deflagrada pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP), nesta terça-feira (7), revelou um esquema de lavagem de dinheiro milionário por meio de criptomoedas. Quatro alvos da ação foram presos em endereços em em Santa Isabel, no Alto Tietê, Sorocaba e Indaiatuba, no interior do estado, e na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte (RN). Um quinto envolvido no esquema criminoso já estava detido em decorrência de apurações da Polícia Federal e do próprio Ministério Público.
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As investigações tiveram início após um sequestro de um corretor de criptomoedas ocorrido no Shopping Cidade Jardim, na capital paulista, em fevereiro do ano passado. A vítima foi resgatada em Santa Isabel. A partir do caso, os policiais do 34º Distrito Policial identificaram a atuação de uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e uso de criptoativos para ocultar e movimentar valores ilícitos.
Segundo a apuração, o caso tem ligação com uma investigação anterior da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que apura uma fraude bancária com prejuízo estimado em R$ 146,5 milhões. A vítima do sequestro é apontada como um dos envolvidos nesse esquema e teria participado da movimentação de recursos por meio de criptomoedas.
Há indícios, ainda segundo a polícia, de que parte do dinheiro tenha sido desviada, o que pode ter motivado o crime no ano passado. Os investigadores também identificaram transferências superiores a R$ 70 milhões a um parceiro comercial ligado ao suspeito, valor considerado incompatível com a capacidade financeira declarada.
Durante o cumprimento dos 14 mandados de busca, foram apreendidos relógios de luxo, veículos de alto padrão, celulares, notebooks, uma máquina de contar dinheiro e dispositivos possivelmente utilizados em transações com criptomoedas. Entre os investigados está um guarda civil municipal.
Ao todo, 54 policiais civis foram mobilizados, incluindo equipes especializadas do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) e do Grupo Especial de Reação (GER), além de agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público.
De acordo com o delegado Marcus Vinícius da Silva Reis, titular do 34º Distrito Policial, a apuração revelou um esquema sofisticado.
“As investigações apontam para uma estrutura criminosa que utilizava criptomoedas para ocultar a origem ilícita dos valores e viabilizar a movimentação financeira do grupo”, afirmou.
As diligências continuam aprofundar o rastreamento dos recursos movimentados pela organização criminosa.