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Comissão de Ética da Câmara deve divulgar decisão sobre caso de Lintz na quarta-feira

Comissão analisa casos dos dias 14 de maio, quando Lintz bateu boca sobre a fraude no INSS, e 10 de setembro, quando o vereador chamou uma colega de "analfabeta"

Por Fabricio Mello
09/10/2025 11h56, Atualizado há 7 meses

Vereador Felipe Lintz (PL) | Divulgação/CMMC

Em resposta aos questionamentos do O Diário, a Câmara de Mogi das Cruzes informou que será realizada, na próxima quarta-feira (15), uma reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar para decidir sobre a conduta do vereador Felipe Lintz (PL). A reunião está prevista para acontecer às 13h30 e a decisão deve ser divulgada na sequência.

O parecer a ser divulgado se refere ao caso do dia 14 de maio (leia mais abaixo), quando Lintz discutiu com o vereador Rodrigo Romão (PCdoB). A assessoria da Câmara informou que a Comissão deve, ainda, agendar uma segunda reunião para tratar do episódio envolvendo a vereadora Inês Paz (PSOL).

Um pedido de análise de conduta contra Lintz foi feito pelo presidente da Câmara, o vereador Farofa (PL), há cerca de um mês, após o vereador protagonizar dois episódios polêmicos dentro do plenário na mesma semana. Na época, Farofa (PL) disse que não seria admitida qualquer conduta incompatível com o decoro parlamentar, independentemente da legenda partidária, e ressaltou a importância de uma atuação rigorosa do colegiado.

Os casos em questão são os dos dias 9 e 10 de setembro. No primeiro, Lintz discutiu com manifestantes dentro do plenário, que protestavam contra a moção de repúdio ao cantor Johnny Hooker. O parlamentar chegou a chamar o público de “vagabundos” e mandar que calassem a boca. O caso também acabou motivando outros protestos contra o vereador (leia mais abaixo). Assista:

Na sessão seguinte, já no dia 10, Lintz apresentou outra moção de repúdio, dessa vez contra pessoas em situação de rua que teriam recusado o atendimento médico e de profissionais da Assistência Social. O texto foi criticado por outros vereadores e Lintz acabou retirando a moção e afirmou que reapresentaria o trabalho posteriormente.

Entretanto, ao retornar à tribuna, Lintz criticou a opinião dos colegas, alegando que a interpretação do texto estava distorcida, e acabou chamando a vereadora Inês Paz (PSOL) de “analfabeta”.

O episódio acabou ganhando proporções ainda maiores quando Inês repercutiu a situação em suas redes sociais e entidades e movimentos sociais da cidade se manifestaram a favor da psolista. Na sessão seguinte, já na outra semana, Lintz se desculpou publicamente com a colega, mas Inês reforçou o pedido para que o caso fosse analisado e que as medidas adequadas fossem tomadas contra o vereador do PL.

Outros casos

Os casos atualmente sendo analisados pela Comissão de Ética não são os primeiros envolvendo o vereador Lintz. No episódio mais recente – que aconteceu semanas após o pedido de análise de conduta – vereador causou mais uma polêmica ao deixar o plenário para provocar manifestantes que protestavam no Centro Cívico pedindo, entre outras coisas, a sua cassação.

Meses antes, logo no início da Legislatura atual, Lintz e Iduigues discutiram em plenário por conta de uma moção de aplauso ao PT pelos 45 anos de fundação. A sessão do dia 12 de fevereiro foi marcada pela troca de ofensas entre os dois parlamentares, com Iduigues se referindo a Lintz como “chupetinha de Mogi”, fazendo uma alusão ao apelido dado ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) para provocá-lo.

Na semana seguinte, na sessão do dia 19, Lintz apresentou uma indicação para “dissipar” a ocupação da Vila São Francisco, o que gerou outro bate-boca na Casa de Leis. Ao rebater as críticas sobre o uso do termo, Lintz e Iduigues discutiram novamente e, ao final do debate, o vereador do PL acabou optando por retirar o texto.

Três meses depois, na sessão ordinária do dia 14 de maio, Lintz e Rodrigo Romão (PCdoB) trocaram ofensas dentro do plenário ao falar sobre a Fraude do INSS. Lintz, junto de Priscila Yamagami (PP), apresentaram uma moção de repúdio à corrupção institucionalizada dentro do Instituto. O texto foi aprovado e, ao declarar o voto, Lintz usou a tribuna para criticar o presidente Lula (PT). Romão rebateu os comentários, dizendo que Lintz era “desrespeitoso” e agia “de forma ridícula” nas redes sociais. O vereador do PL retornou a tribuna e deu-se início ao bate-boca.

Na época deste último caso, a Comissão de Ética foi acionada para analisar a postura dos dois vereadores pela troca de ofensas em plenário e, segundo a análise de especialistas ouvidos pelo O Diário, o episódio poderia, sim, ter sido considerado como quebra de decoro. O resultado da análise será divulgado agora, na próxima semana.

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