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Pesquisadores falam sobre processo de tombamento da Festa do Divino de Mogi

Equipe contratada pelo Iphan acompanha os ritos da celebração e prepara dossiê com estudo histórico, que servirá de base para registro como patrimônio imaterial do Brasil

Por Ana Lívia Terribille
05/06/2025 10h39, Atualizado há 10 meses

Pesquisadores estão em Mogi das Cruzes para documentar e analisar a Festa do Divino Espírito Santo, como parte de um estudo que pode levar ao reconhecimento do evento como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O trabalho resulta na elaboração do Dossiê de Registro, documento que servirá de base para a avaliação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A pesquisa está sendo conduzida pelo Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), instituição contratada pelo Iphan por meio de um convênio firmado com recursos de uma emenda parlamentar. A parceria entre as duas organizações existe desde 2015 e já resultou em diversos estudos culturais no país.

Estão em Mogi o gestor do projeto e diretor do documentário sobre a festa, Fábio Martins Bueno, e o antropólogo Hugo Soares, que coordena a pesquisa técnica e assina a redação do dossiê. Mas a equipe toda é formada por sete pessoas. Além de Fábio e Hugo, participam do trabalho mais três fotógrafos, um cinegrafista e um especialista em patrimônio cultural. Mas no auge do trabalho, chegou a contar com nove pessoas, incluindo a apoio de profissionais da prefeitura e da própria Pró-Divino. Isso tudo possibilitou contar, inclusive, com imagens de drone.

Embora representem o Iphan no processo, eles não fazem parte do quadro técnico do instituto.

O dossiê reúne diversas frentes de pesquisa. Há um estudo histórico que reconstitui a trajetória da festa, uma análise antropológica sobre os grupos sociais envolvidos, e também um olhar detalhado para a forma como a tradição se manifesta no presente. O material incluirá ainda registros fotográficos, um produto audiovisual dirigido por Fábio e o mapeamento georreferenciado da celebração, feito por uma geógrafa da equipe.

“Quando a gente reconstrói a dimensão histórica com base em documentação, também faz uma análise antropológica dos vários grupos que participam da festa”, explica Hugo. “Já percebemos que a Festa do Divino é muito facetada. São inúmeros grupos devocionais, com diferentes formas de participação. Também estamos estudando os bastidores: para o cortejo estar na rua, o afogado estar na mesa, existe toda uma estrutura, uma logística de produção, e nosso trabalho é avaliar isso também.”

Já Fábio destaca que o estudo considera tanto o passado quanto o presente. “No último domingo, estivemos em Santa Isabel, onde visitamos carreiros que trazem os carros de bois para a Entrada dos Palmitos. Eles nos mostraram álbuns de fotografias. É uma pesquisa que responde a essas duas dimensões: memória e atualidade”, disse.

Para ele, o conjunto cultural presente em Mogi das Cruzes é um forte indicativo da importância da festa. “Mogi concentra muitas temporalidades e períodos da história do Brasil. A Festa do Divino é uma dessas expressões. O pessoal de Mogi está de parabéns — aqui há, de fato, patrimônio cultural.”

A equipe permanece na cidade até o encerramento da festa, no próximo domingo (8), quando conclui a fase de campo deste trabalho que pode consolidar a Festa do Divino como símbolos do patrimônio cultural brasileiro.

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